O preço do cacau do Pará e demais estados segue desvalorizado. Nesta segunda-feira (9), a cotação pela Cooperativa Mista Agropecuária de Tucumã (Coopertuc) foi de R$ 17 o quilo. O preço médio do estado, pelas cotações nacionais, ficou em R$ 15. A crise se estende à Bahia e ao Espírito Santo, outros estados com grande produção do fruto. Na próxima quarta-feira (11), o governador Helder Barbalho (MDB) terá uma agenda com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para discutir medidas que possam recompor os preços.
“Tomei a providência de telefonar ao ministro Carlos Fávaro, para pedir audiência para debater uma solução e avaliar as importações de produtos, que têm diminuído o valor da produção brasileira. De imediato, o ministro marcou para a próxima quarta-feira, dia 11, em Brasília. Estaremos lá com uma comissão de produtores, o secretário de Desenvolvimento Agropecuário do Pará, Giovanni Queiroz, a Adepará e deputados, para pedir que possamos suspender a importação de produtos”, informou o governador Helder Barbalho.
O Pará é o maior produtor de cacau do Brasil. Dados da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap) apontam que, em 2024, a produção estadual ultrapassou 153 mil toneladas do fruto, gerando mais de 320 mil empregos diretos. O cacau é uma commodity, ou seja, é sujeito às oscilações do mercado internacional. Entre 2023 e 2025, houve uma insuficiência frente à demanda global, o que fez os preços dispararem. O preço do fruto no estado chegou a R$ 80 por quilo. Mas o cenário mudou e o Brasil permitiu importações, que derrubaram os preços dos produtores locais.

Na Bahia, a arroba do fruto ficou em R$ 235 (15 kg) nesta segunda-feira (9). A saca no Espírito Santo foi cotada em R$ 940 (60 kg). Os dados são do site Mercado do Cacau. O cenário tem sido tão crítico que produtores fizeram manifestações na semana passada, em Medicilândia, na rodovia Transamazônica. Para o Governo do Pará, além de competir com a produção nacional de cacau, a importação não segue os padrões rigorosos de segurança sanitária da produção local, o que eleva o risco de introdução de pragas e doenças exóticas para os frutos do Brasil.
(Da Redação do Fato Regional)
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