Exportações paraenses de carne bovina e minério de ferro podem ser prejudicadas por guerra dos EUA e de Israel contra o Irã

Os dados da Fiepa revelam que, embora não seja o principal parceiro comercial do Pará, o Oriente Médio compõe uma frente relevante de diversificação das exportações do estado. A guerra pode ainda levar a pressões outros mercados importantes do estado, como Estados Unidos, China e União Europeia.
As exportações de carne bovina estão entre os produtos da indústria paraense que estão sob risco de transtornos devido à guerra (Foto: Marco Santos / Agência Pará)

Exportações de commodities paraenses do agro e da mineração podem enfrentar instabilidades e desafios nos próximos dias, devido ao novo conflito no Oriente Médio. A avaliação é do Centro Internacional de Negócios da Federação das Indústrias do Estado do Pará (CIN/Fiepa). A entidade empresarial emitiu uma nota, na tarde desta terça-feira (3), apontando que alguns dos principais produtos prejudicados podem ser a carne bovina e o minério de ferro. Uma guerra prolongada pode levar a uma recessão internacional, reduzindo a demanda por commodities e afetando diretamente o desempenho das exportações industriais paraenses.

“O Oriente Médio mantém relevância como destino das exportações paraenses, ainda que com oscilações recentes. Em 2025, as exportações de minério de ferro para a região somaram US$ 277,7 milhões, tendo Omã como principal comprador. Já no segmento de carne bovina, o volume exportado alcançou US$ 389,1 milhões, com destaque para mercados como Iraque, Líbano, Israel e Arábia Saudita”, diz a nota da Fiepa.

Os dados revelam que, embora não seja o principal parceiro comercial do Pará, o Oriente Médio compõe uma frente relevante de diversificação das exportações do estado. O economista Clóvis Carneiro, vice-presidente da Fiepa, avalia que em um cenário de encarecimento logístico global e aumento da incerteza, indústrias locais podem enfrentar um ambiente mais desafiador para manter competitividade e previsibilidade operacional. O principal impacto imediato pode ser o aumento dos custos logísticos, devido à alta do petróleo e risco nas rotas marítimas.

“A grande preocupação é com o preço do petróleo, que poderá criar instabilidades nos mercados financeiros e na logística mundial, afetando diretamente os custos de fretes, seguros e encargos financeiros das exportações”, diz Clóvis. Para setores como mineração e pecuária, que são altamente dependentes de transporte marítimo de longa distância, esse encarecimento pode pressionar significativamente os resultados das empresas.

O minério de ferro é outra commodity paraense que pode ser afetada com a guerra no Oriente Médio (Foto: Divulgação / Vale)

Indústria paraense precisa de planejamento e cautela frente ao mercado global

Outro ponto de atenção está na dependência indireta do estado em relação à economia chinesa. Principal destino das exportações do Pará, a China pode ser significativamente impactada pela crise, especialmente devido à sua forte dependência do petróleo do Oriente Médio, já que cerca de 50% das importações chinesas passam pelo Estreito de Ormuz, atualmente sob forte tensão geopolítica. Uma desaceleração da economia chinesa teria efeito imediato sobre a demanda por minério de ferro e outros produtos paraenses, ampliando os riscos para o setor industrial.

“Diante desse cenário, dois fatores se colocam como centrais para o monitoramento econômico: a duração do conflito e seus desdobramentos sobre as principais economias globais, como Estados Unidos, China e União Europeia. Para o Pará, na qual a inserção internacional é fortemente baseada em commodities, o momento exige cautela, planejamento e capacidade de adaptação a um ambiente externo mais volátil”, conclui Clóvis Carneiro.

Na avaliação do presidente da Fiepa, Alex Carvalho, a atual escalada geopolítica expõe fragilidades estruturais do Brasil no campo energético. Para ele, em um cenário de conflitos e pressão sobre o preço do petróleo, o país ainda opera com um horizonte limitado de reservas e elevada dependência de importação de derivados, o que amplia a vulnerabilidade da economia a choques externos.

“Enquanto grandes potências ampliam suas reservas e buscam segurança energética, o Brasil ainda trata como tabu novas fronteiras exploratórias. Abrir mão desse potencial, em um cenário global instável, é transformar cautela em fragilidade econômica”, afirma Alex Carvalho, em contraponto à postergação da exploração da Margem Equatorial.


(Da Redação do Fato Regional)

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