A edição deste domingo (8) do Fantástico, da Rede Globo, exibiu uma longa reportagem sobre uma luxuosa mansão do prefeito de Ananindeua, Daniel Santos (PSB), que teria sido comprada com um suposto esquema de corrupção que envolveria contratos da prefeitura. A apuração se baseou em visitas ao imóvel, que fica à beira-mar da cidade de Fortim, no Ceará, num condomínio de elite, e nas investigações do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA). O político nega todas as acusações.
Desde outubro de 2024, Dr. Daniel, que se apresenta como pré-candidato ao Governo do Pará nas eleições deste ano, vem sendo alvo de operações a partir de apurações do MPPA. O procurador-geral de Justiça do Estado, Alexandre Tourinho, diz que as investigações tentam elucidar a evolução patrimonial do prefeito de Ananindeua. A reportagem do Fantástico também mostrou outros bens de alto valor ligados a Daniel, como uma fazenda no valor de R$ 16 milhões, uma aeronave avaliada em R$ 10 milhões e uma coleção de relógios de luxo de mais de R$ 3 milhões.
O Fantástico apresentou algumas das evidências apontadas pelo MPPA de que havia um esquema de repasses ilegais de empresas contratadas pela Prefeitura de Ananindeua para pagamento da mansão, que foi comprada em nome da empresa de Dr. Daniel, a J.D. Agropecuária. Essas transferências foram apelidadas na matéria de “vaquinha da corrupção”, já que as parcelas da mansão em Fortim, seriam pagas a partir de valores arrecadados com os contratos. O imóvel é avaliado em R$ 2,5 milhões, mas totalmente construído e pronto, tem valor superior a R$ 4 milhões.
Para o procurador-geral do Estado, Alexandre Tourinho, os bens ligados a Daniel são incompatíveis com os rendimentos e com o patrimônio declarado dele, no total de R$ 4,8 milhões. Por essa razão e pelo formato dos pagamentos das parcelas da mansão, o MPPA investiga se há lavagem de dinheiro e organização criminosa. Os crimes vêm sendo investigados desde 2024 e resultaram na deflagração da operação “Hades”, em 2025, investigando também os crimes de fraude em licitações e corrupção ativa e passiva.
Veja a reportagem do Fantástico sobre Daniel Santos:
Entenda como funciona o suposto esquema investigado
Entre as empresas ligadas aos repasses suspeitos e alvos da investigação, está a Neo BRS, fornecedora de vários insumos e materiais para a Secretaria Municipal de Educação de Ananindeua. Em 2024, foram emitidas duas notas fiscais para pagamento de serviços prestados: uma no dia 30 de setembro, no valor de R$ 995.038, e outra em 1º de outubro, no valor de R$ 493.099. Um dia após receber os valores, diz a reportagem, a Neo BRS repassou R$ 866.034,25 para a empresa responsável pela mansão do prefeito em Fortim.
Ainda envolvendo a Secretaria Municipal de Educação de Ananindeua, outra empresa foi exposta pelo Fantástico: a Ferreira Comercial, que fornece produtos de limpeza para o órgão. A prefeitura pagou R$ 521.581,40 à empresa em 2 de outubro de 2024 e cerca de R$ 250 mil foram enviados, novamente, para a empresa que construiu a mansão de Dr. Daniel. Os jornalistas foram aos endereços das duas empresas. Numa, ninguém atendeu a equipe. Na outra, o endereço oficial sequer condizia com o das notas fiscais emitidas.
Por fim, a construtora ligada ao vereador Alexandre Gomes (PSB, de Ananindeua), a A.C. Santos Gomes & CIA LTDA, também foi exposta na reportagem. A empresa recebeu pagamentos de mais de R$ 980 mil por contratos com a Secretaria Municipal de Habitação, órgão cujo secretário titular é o próprio vereador e dono da empresa. Os valores também foram repassados para o pagamento do imóvel de Daniel. Os jornalistas também não conseguiram contato com a empresa e com o secretário. Na prefeitura, o prefeito não foi localizado.

STF suspende investigações do Ministério Público do Estado do Pará
Na sexta-feira (6), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu as investigações relacionadas à operação “Hades”, por supostas ilegalidades e que violariam princípios do Ministério Público. A defesa de Daniel ainda alega que as investigações de 2024 também foram tornadas nulas, já que a operação de 2025 é consequência da primeira operação. Para o procurador-geral de Justiça, as investigações foram apenas paralisadas temporariamente, para que o MPPA esclareça alguns fatos, mas que não foi descartada totalmente ou tornada ilegal.
Na avaliação do MPPA, as petições e apelações do prefeito apenas visam “tumultuar o processo” e “atrapalhar as investigações”. O procurador-geral de Justiça ressalta que a defesa do prefeito tenta pedir foro privilegiado porque a esposa do prefeito, a deputada federal Alessandra Haber (MDB-PA), seria citada e teria o direito de ser investigada somente pelo STF. Porém, o Ministério Público esclarece que a parlamente e cônjuge de Daniel não é alvo de nenhuma investigação.
Por nota, Dr. Daniel afirma que todas as acusações são falsas. Sem responder aos fatos apresentados pelo Fantástico, o prefeito de Ananindeua preferiu atacar a reportagem chamando de “inverídica”, “precipitada” e “sensacionalista”. Voltou a falar que é perseguido político e que o STF considerou as investigações e operações do MPPA ilegais. Nas redes sociais, disse que a Rede Globo ignorou a nota enviada por ele, apesar de que foi quase integralmente lida, com exceção dos ataques ao conteúdo da matéria.

(Da Redação do Fato Regional, com informações do Fantástico)
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