O mercado do cacau brasileiro tenta reagir ao impacto das importações de frutos da África. Ao menos no Pará, produtores viram o preço do fruto mais premiado do Brasil ter uma sutil melhora. Tucumã, no Sul do Pará, que já teve o cacau mais valorizado do país e acima da cotação nacional, está comercializando o quilo por R$ 14, pela cotação da Coopertuc desta segunda-feira (18). Em São Félix do Xingu, a Camppax também registrou R$ 14/kg. Esses preços já superam a média da cotação estadual. A expectativa é de que a nova lei sobre percentuais mínimos de cacau para chocolates possa aumentar a demanda e recompor o valor do fruto.
Pelas informações do Mercado do Cacau, a cotação estadual do Pará ficou em R$ 13,80 nesta segunda-feira, enquanto que a arroba da Bahia (15 kg) ficou em R$ 210 e a saca do Espírito Santo (60 kg) marcou R$ 840. O Pará responde por mais de 51% da produção nacional, com mais de 34 mil produtores, segundo a Sedap, além de ser o estado pioneiro na implantação de um sistema estadual de rastreabilidade do cacau, garantindo ao mercado internacional frutos de qualidade e origem livre de desmatamento ilegal e trabalho em condições desumanas.

São quase três meses desde que o Governo Federal, através do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), garantiram ao ex-governador Helder Barbalho e produtores de cacau de todo o Brasil que seriam adotadas medidas para recomposição de preços e valorização do mercado. Entre as medidas estavam a suspensão de importações da Costa do Marfim, fim do regime de “drawback” para importações, abertura de novos mercados e revisão de dados e estimativas de safra e estoque. Mas nada surtiu efeito ainda.
O cacau é uma commodity e o preço é influenciado por variações no mercado internacional. Até 2025, o preço do quilo do cacau do Pará chegou ao pico de R$ 65. Mas há meses não supera R$ 15, independente da alta qualidade do fruto paraense, que é premiado e reconhecido internacionalmente.

(Da Redação do Fato Regional)
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