*Esta matéria foi atualizada às 10h50, após a Polícia Civil de Ourilândia confirmar que a mulher está em “condição de morte cerebral”, ainda não confirmada oficialmente pelo HRPA279.
Ilcicleia Alves Veloso segue internada no Hospital Regional da PA-279, em Ourilândia. A informação inicialmente confirmada pela Polícia Civil, na manhã desta quinta-feira (4), de que ela havia morrido foi atualizada. Ela está em condição ainda não oficial de morte cerebral. Ela foi baleada pelo ex-marido, o vereador e ex-prefeito do município, Romildo Veloso e Silva. O parlamentar atirou contra si e morreu na hora. Tudo ocorreu na tarde desta quarta (3), em um escritório de advocacia, durante uma audiência relacionada ao processo de divórcio dos dois.
O delegado Elioenai de Jesus explicou que entrou em contato com a equipe do Hospital Regional da PA-279 e foi informado de que Leia Veloso segue em estado gravíssimo, mas tecnicamente ainda viva. A atividade cerebral dela está muito fraca e decaindo, mas a parte do cérebro responsável pela manutenção de funções e sinais vitais, como batimento cardíaco e respiração, ainda estava funcional. A condição é muito delicada, mas não há como dizer 100% que ela está morta e nem oficialmente dizer que ela teve morte cerebral, mas está nessa condição.
Morte cerebral é processo longo, complexo e exige cautela
O protocolo de decretação de morte cerebral é complexo e demorado, pois requer uma avaliação conjunta de médicos para afirmar oficialmente o fim da atividade do cérebro. Esse procedimento pode levar até mesmo alguns dias, dependendo da condição do paciente. Também há vários processos protocolares de qualquer hospital para um caso de morte cerebral, que incluem comunicação com familiares e procedimentos para doação de órgãos, caso isso se aplique.
Daí, não é possível afirmar que Leia teve morte cerebral de modo oficial, já que todos os protocolos ainda não foram cumpridos e não há como saber por quanto tempo ela ainda apresentará esses sinais vitais. Familiares e amigos seguem em orações. No entanto, de forma não oficial e do ponto de vista clínico, a situação da moça é considerada praticamente incompatível com a vida e as chances de recuperação são improváveis.
Nota da Polícia Civil dava a entender que Leia Veloso já era considerada morta para a investigação
Leia Veloso foi socorrida logo após ser baleada e até a manhã desta quinta (4), ainda apresentava batimentos cardíacos e respiração, o que alimenta as esperanças de familiares e amigos. O Fato Regional adotou uma postura cautelosa sobre divulgar o falecimento de Leia Veloso, já que ela ainda apresenta esses sinais vitais, mesmo que a atividade cerebral já estivesse decaindo. Só que uma nota da Assessoria de Comunicação da Polícia Civil deu a entender que a corporação já considerava ela como morta.
“A Polícia Civil informa que um inquérito foi instaurado pela Delegacia de Ourilândia do Norte para apurar as circunstâncias do caso, registrado inicialmente como feminicídio seguido de suicídio. Perícias foram solicitadas para auxiliar nas investigações”, diz a nota enviada ao Fato Regional, às 10h. A mesma nota foi enviada a outros veículos de imprensa do Pará. Até antes dessa nota, a PC era bem cautelosa em falar “tentativa de feminicídio”. No comunicado mais atual, a palavra “tentativa” já não constava. A informação foi corrigida pelo delegado Elioenai e posteriormente uma segunda nota foi enviada às 11h53, reconhecendo o equívoco e restabelecendo o termo “tentativa de homicídio”.
Veloso e Leia, como era conhecida a ex-esposa, estavam separados há cerca de 3 meses, como apontaram pessoas próximas. Eles estavam prestes a assinar um documento relacionado ao processo de divórcio. O vereador teria pedido para conversar a sós com a mulher por alguns instantes e foi quando teria atirado contra ela. Um dos disparos foi na cabeça, na região da nuca. O ex-prefeito então saiu da sala e atirou contra si no banheiro.
Inicialmente, Leia foi socorrida para o Hospital Municipal Jadson Pesconi e então encaminhada para o Hospital Regional da PA-279, devido à gravidade dos ferimentos. Ela já deu entrada em estado crítico. Os tiros causaram pânico no escritório. A mulher e o vereador tinham dois filhos juntos e filhos de relacionamentos anteriores.
O Fato Regional lamenta por ter divulgado uma informação incompleta após ter sido induzido a erro, já que só trabalha com informações oficiais — repassadas por policiais e autoridades públicas ou que constem em boletins e registros oficiais de ocorrência —, respeitando o princípio da presunção de inocência. O espaço para a defesa de qualquer pessoa citada em casos policiais, se os advogados ou envolvidos acharem conveniente manifestar-se, sempre será garantido, com amplo direito ao contraditório.

(Da Redação do Fato Regional)
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