Bolsonaro admite pela 1ª vez adiar Enem “um pouco”

"Estou conversando com o Weintraub, né? Se for o caso, atrasa um pouco, mas tem de ser aplicado este ano", disse o presidente
Presidente Jair Bolsonaro - Foto: Marcelo Camargo. Agência Brasil.

Em meio aos pedidos de adiamento do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2020 por parte de educadores, alunos e entidades de educação, pela primeira vez o presidente Jair Bolsonaro admitiu “atrasar um pouco”, desde que seja realizado ainda neste ano. Ontem, o ministro Gurgel Faria, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), negou pedido de adiamento feito por entidades estudantis.

“O Enem, estou conversando com o Weintraub, né? Se for o caso, atrasa um pouco, mas tem de ser aplicado este ano”, disse o presidente ontem. O ministro da Educação, Abraham Weintraub, defende que o exame seja mantido. Mesmo com o avanço da covid-19, as inscrições para o exame nacional foram abertas anteontem.

Segundo o cronograma, a prova impressa está mantida para os dias 1º e 8 de novembro. A partir deste ano, o candidato poderá optar também pela avaliação digital marcada para os dias 22 e 29 do mesmo mês, com previsão de ser aplicada para 50 mil alunos em laboratórios de faculdades de 15 capitais do Brasil. A edição digital, que estava inicialmente prevista para 11 e 18 de outubro, já foi adiada por causa da crise trazida pela covid-19.

Educadores, estudantes e entidades de educação criticam a decisão de manter a realização das provas. Diante da suspensão de aulas por causa da pandemia do novo coronavírus, ainda sem definição para serem retomadas, a desigualdade de ensino é a principal bandeira levantada por aqueles que pedem o adiamento do exame. Além disso, há incertezas sobre os riscos da covid-19 no País em meados de novembro, com as aglomerações provocadas para a realização das provas.

“As políticas educacionais que vêm sendo implementadas de educação a distância, quando em caráter oficial, e a não postergação do Enem estão abraçando as desigualdades sociais e educacionais e, portanto, são discriminatórias”, afirma Andressa Pellanda, coordenadora da Campanha Nacional pelo Direito à Educação.

No mundo, há linhas diversas em andamento. Assim como o Brasil, Alemanha e Finlândia decidiram manter as provas nacionais, reforçando as ações de higiene para prevenir o risco de transmissão. Mais cautelosos, Estados Unidos, Espanha e Irlanda, por exemplo, cancelaram as avaliações. “Estamos acompanhando, mas não é possível comparar países desenvolvidos que têm lidado bem com a pandemia com o Brasil”, reforça Andressa.

Em nota, o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) também manifesta “profunda preocupação quanto às datas divulgadas, uma vez que estão suspensas as aulas nas escolas em todo o território nacional, bem como pelos prejuízos para os estudantes, especialmente de escolas públicas”.

Em entrevista transmitida ao vivo pelo Estado anteontem, sobre medidas a serem tomadas para diminuir o impacto da pandemia de covid-19 na educação, a presidente executiva da organização Todos Pela Educação, Priscila Cruz, falou que a manutenção do atual calendário do Enem é um “desprezo” com os alunos mais pobres e disse que a edição deste ano vai acabar entrando para a história como o “Enem da morte”. “A morte da chance, da oportunidade, de um projeto de acesso ao ensino superior que está sendo destruído”, explica.


A União Nacional dos Estudantes (UNE) e a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) protocolaram na segunda-feira o mandado de segurança rejeitado por Faria no STJ. “Manter a data da prova, nessas circunstâncias, é acabar com o sonho de milhares de jovens de ingressar em uma universidade”, afirma Iago Montalvão, presidente da Une. Ainda cabe recurso.

 

 

Fonte: Agência Estado

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