A cacica Ô-é Paiakan Kayapó anunciou que é pré-candidata a deputada estadual. Ela pretende disputar uma vaga na Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa) pelo PSOL. Vinda de uma linhagem de lideranças indígenas históricas do estado, ela pretende ser voz dos povos originários do Pará e defender os direitos de minorias. Para isso, deixou o cargo na Coordenação Regional Kayapó Sul do Pará (CRK), que é vinculada à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). Com exclusividade, ela concedeu entrevista ao Fato Regional.

Ô-é Paiakan Kayapó é formada em Serviço Social, mestranda na UFPA, e foi a primeira mulher a chegar ao posto de cacique da etnia Kayapó. Também foi a primeira liderança indígena a chefiar a CRK. Ela é filha do cacique Paulinho Paiakan, uma liderança histórica na luta por direitos dos povos indígenas e preservação das florestas. A mãe também é um ícone da luta indígena: Tuíre Kayapó, a mulher que com um facão parou a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte (antes projeto Kararaô) por 20 anos.

Além da CRK, Ô-é Paiakan Kayapó trabalhou na saúde indígena, na Associação Floresta Protegida, na União das Mulheres Indígenas da Amazônia Brasileira e no Instituto Paiakan. Também é membro da Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (Anmiga) e da Federação dos Povos Indígenas do Pará (Fepipa). Na Funai, ingressou em 2022.
“Sou uma mulher Kayapó, pertencente ao território e ao povo Mẽbêngôkre, da região da Terra Indígena Baú. Trago comigo o legado do meu pai e de minha mãe e o trabalho nos órgãos indigenistas criados pelos brancos. O que vejo como importante, para marcar nossa presença e posição nessas instituições, fazendo nossa luta nesses espaços e mostrando nossa competência. Estamos mudando esse cenário de que o indígena é incapaz, que não tem conhecimento técnico”, diz a Ô-é.
Para a cacica, as Eleições 2026 serão difíceis para o campo progressista da política. Logo, ela se junta à luta por espaços que representam os povos originários, minorias, movimentos sociais e pretende unir todos os discursos, lutas e objetivos, na busca por políticas públicas que enderecem problemas reais da população do Pará. “Somos um estado rico e cheio de cultura e diversidade, mas precisamos de avanços em temas como violência contra mulheres, proteção territorial e ambiental, enfrentamento do garimpo e do desmatamento”, comentou.

“A candidatura indígena vem para resgatar o protagonismo da nossa força e luta para esses espaços que começam a ser ocupados por representantes dos povos originários. Quero somar como mulher indígena junto com toda a população paraense, dando voz para atender anseios reais do nosso povo. Será uma eleição difícil, mas acredito que a força do nosso território Kayapó, dos indígenas do estado e movimentos indigenistas podem trazer bons resultados”, concluiu Ô-é Paiakan Kayapó.

Quem assume o posto de Ô-é Paiakan Kayapó na CRK é Camilo Soares, um indigenista técnico, bem conhecido e com boa reputação de trabalho junto ao povo Kayapó e outras etnias. A desincompatibilização da cacica, necessária para o processo de registro como candidata para as eleições deste ano, já consta no Diário Oficial da União.


(Da Redação do Fato Regional)
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