Caminhada de Ourilândia a Tucumã, no dia 16 de agosto, mobiliza sociedade do Sul do Pará no enfrentamento da violência contra mulheres

A 1ª Caminhada de Combate ao Feminicídio terá um trajeto de 7 km, saindo da Praça das Crianças, em Ourilândia do Norte, até a Praça de Eventos Tuto Pombo Kayapó, em Tucumã. A mobilização tenta chamar atenção para os casos de violência contra mulheres no Sul do Pará e em todo o Brasil.
A 1ª Caminhada de Combate ao Feminicídio surgem em resposta a casos recentes em Ourilândia e em outros municípios do Sul do Pará e busca dar um basta, no contexto da campanha Agosto Lilás (Foto: Divulgação)

Neste Agosto Lilás, campanha que mobiliza a sociedade a enfrentar a violência contra mulheres, um grupo da região da PA-279, no Sul do Pará, promove a 1ª Caminhada de Combate ao Feminicídio. O evento será no dia 16 de agosto, a partir das 7h, saindo da Praça das Crianças de Ourilândia do Norte e seguindo até a praça de eventos Tuto Pombo Kayapó de Tucumã, num trajeto aproximado de 7 km. Quem quiser participar, basta comparecer à mobilização e vestir as cores branco e lilás. O ato é totalmente apartidário e não tem natureza política-eleitoral.

A iniciativa nasceu da empresária e engenheira de segurança do Trabalho Alice von Randow, de uma geração de pioneiros de Tucumã. Ela é engajada em ações sociais para mulheres e disse não conseguir mais apenas assistir a tantos episódios de violência contra mulheres, principalmente feminicídios, nos municípios da região da PA-279. Ela começou montando um grupo no WhatsApp, para discutir formas de enfrentar essa realidade dolorosa, e rapidamente várias denúncias e relatos de agressões surgiram.

“De uns anos para cá, vimos a violência contra mulheres, agressões e feminicídios aumentarem. Pesquisas mostram que o Pará entre os estados mais violentos contra mulheres. Mas esses crimes que antes eram mais comuns nas grandes cidades, agora afetam e assombram a rotina dos municípios do interior. Isso me choca. Tenho medo de sair de casa. Vejo mulheres oprimidas e sofrendo. E quando buscam a polícia e a justiça, não se sentem acolhidas e providências não são tomadas a contento”, comenta Alice, em entrevista ao Fato Regional.

A empresária diz que o estopim foi o feminicídio em Ourilândia, que vitimou Lorrayne Martins Alencar, em 12 de julho deste ano. O caso ocorreu pouco mais de um mês após a sociedade ourilandense ainda processar o trauma do feminicídio seguido de suicídio, envolvendo o ex-prefeito Romildo Veloso e a ex-esposa dele, Leia Veloso. Para Alice, não dava mais para ficar de braços cruzados. “Não podemos mais viver com esse trauma e essa angústia”, diz.

“Me dói ver relatos de mulheres chorando, vítimas de tanta violência, que inclusive vimos no grupo criado para essa mobilização e caminhada contra o feminicídio. Nossa sociedade não pode aceitar mais leis que não estão funcionando e representantes no poder público que não nos representam e nem agem para mudar essa realidade. Precisamos dar um basta, principalmente neste ano de eleição. Quando a sociedade se levanta, o sistema muda. Precisamos de um país e estados que nos protejam de quem está tirando nosso direito humano, constitucional e concedido por Deus que é a vida. Essa luta não é apenas de mulheres. É de toda a sociedade”, conclui a empresária, convidando a população a participar da caminhada.


(Da Redação do Fato Regional)

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