O preço da cesta básica de alimentos caiu pela segunda vez neste ano em Belém. Em agosto de 2026, o conjunto dos 12 produtos considerados essenciais para a alimentação das famílias custou R$ 709,12, uma redução de 2,07% em relação a julho, quando o valor chegou a R$ 724,10.
Os dados são do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE/PA), em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Na prática, a redução representou uma economia de R$ 14,98 para o consumidor em relação ao mês anterior. Apesar da queda, o preço dos alimentos continua comprometendo uma parcela significativa da renda das famílias paraenses.
Tomate foi o produto que mais caiu
Dos 12 produtos pesquisados, sete ficaram mais baratos em agosto. O tomate apresentou a maior redução, com queda de 16,02%. Também registraram recuo o açúcar cristal (-4,40%), feijão carioca (-2,70%), café em pó (-2,68%), óleo de soja (-1,17%), farinha de mandioca (-1,08%) e banana (-0,44%).
Por outro lado, cinco produtos ficaram mais caros. A maior alta foi registrada na carne bovina de primeira, que subiu 2,58%. Também tiveram aumento o arroz agulhinha (1,02%), a manteiga (0,85%), o leite integral (0,74%) e o pão francês (0,12%).
Segundo o DIEESE/PA, a forte queda no preço do tomate teve papel importante para que a cesta ficasse mais barata em agosto. No entanto, o preço desse alimento pode variar bastante ao longo do ano por causa da quantidade disponível no mercado, do clima e dos custos para produzir e transportar o produto.
Por isso, a redução de agosto representa um alívio para o consumidor, mas ainda não significa que os preços dos alimentos estejam em trajetória de queda.
Quase metade do salário mínimo é usada para comprar alimentos
Mesmo com a redução no preço da cesta, o trabalhador paraense que recebe um salário mínimo precisou destinar 47,29% de sua renda líquida para comprar os 12 produtos básicos pesquisados.
Em termos de tempo de trabalho, foram necessárias aproximadamente 96 horas e 14 minutos, considerando uma jornada mensal de 220 horas.
Isso significa que, em agosto, quase metade do salário recebido por um trabalhador que ganha o mínimo foi comprometida apenas com a alimentação básica, antes mesmo de despesas como aluguel, transporte, energia elétrica, água, saúde e outras necessidades do dia a dia.
Cesta acumula alta de 6,38% desde janeiro
Apesar da queda registrada em agosto, o cenário é diferente quando se observa o comportamento dos preços desde o início de 2026.
Nos oito primeiros meses do ano, o valor da cesta em Belém passou de R$ 666,57, em janeiro, para R$ 709,12, em agosto. Com isso, o aumento acumulado chegou a 6,38%, acima da inflação estimada para o mesmo período, de aproximadamente 3,5%.
O produto que mais encareceu no período foi o feijão carioca, com alta de impressionantes 57,45%.
Também ficaram mais caros a carne bovina de primeira (9,94%), o arroz agulhinha (7,87%), a banana (6,61%), o leite integral (4,59%), a manteiga (2,87%) e o pão francês (1,86%).
A boa notícia é que quatro produtos ficaram mais baratos desde janeiro: a farinha de mandioca, com queda de 22,84%; o óleo de soja (-14,99%); o café em pó (-10,92%); e o açúcar cristal (-10,31%).
Feijão é o principal destaque no período de 12 meses
Na comparação entre agosto de 2025 e agosto de 2026, o preço da cesta básica em Belém passou de R$ 687,10 para R$ 709,12, uma alta de 3,17%.
Mais uma vez, o feijão carioca aparece como o alimento que mais pressionou o orçamento das famílias. Em 12 meses, o produto ficou 60,37% mais caro.
Também tiveram aumentos a carne bovina de primeira (17,30%), a banana (13,49%), o leite integral (0,98%) e o óleo de soja (0,48%).
Em contrapartida, sete produtos ficaram mais baratos no período. As maiores reduções foram registradas no açúcar cristal (-35,67%), na farinha de mandioca (-22,03%), no café em pó (-13,16%), no tomate (-13,04%), no arroz agulhinha (-9,51%), na manteiga (-3,28%) e no pão francês (-0,82%).
Os números mostram que, embora o aumento geral da cesta tenha sido de 3,17% em um ano, alguns alimentos essenciais tiveram reajustes muito superiores à média, principalmente o feijão, a carne e a banana.
Belém tem a segunda cesta mais cara do Norte
A redução no preço dos alimentos não ocorreu apenas no Pará. Em agosto, 25 das 27 capitais brasileiras pesquisadas registraram queda no valor da cesta básica.
As maiores reduções foram observadas em Rio Branco (-4,68%), Manaus (-4,55%), Boa Vista (-4,47%) e Aracaju (-3,89%). Belém apareceu com queda de 2,07%.
Na Região Norte, todas as sete capitais pesquisadas tiveram redução em agosto:
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Rio Branco: R$ 659,66, queda de 4,68%;
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Manaus: R$ 666,02, queda de 4,55%;
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Boa Vista: R$ 698,04, queda de 4,47%;
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Porto Velho: R$ 664,79, queda de 2,93%;
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Belém: R$ 709,12, queda de 2,07%;
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Palmas: R$ 718,54, queda de 1,82%;
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Macapá: R$ 702,68, queda de 1,49%.
Mesmo com a redução, Belém teve a segunda cesta básica mais cara da Região Norte em agosto, ficando atrás apenas de Palmas.
Queda mensal não elimina alta acumulada
Quando analisado o ano inteiro, o cenário continua sendo de aumento. De janeiro a agosto, todas as 27 capitais pesquisadas registraram alta no preço da cesta básica.
Os aumentos acumulados variaram de 2,82% em Brasília a 12,29% em Porto Velho. Ou seja, embora os preços tenham recuado em agosto em grande parte do país, a redução ainda não foi suficiente para compensar as altas registradas nos meses anteriores.
Em todo o Brasil, o trabalhador precisou, em média, de 98 horas e 37 minutos de trabalho para comprar a cesta básica em agosto. Em julho, eram necessárias 100 horas e 24 minutos.
Na comparação com agosto de 2025, também houve melhora: naquele mês, eram necessárias, em média, 101 horas e 31 minutos de trabalho.
Salário mínimo necessário seria de R$ 7,5 mil
A pesquisa também calcula quanto uma família de quatro pessoas precisaria receber por mês para conseguir pagar não apenas a alimentação, mas também despesas básicas como moradia, saúde, educação, transporte, higiene, vestuário e lazer.
Em agosto de 2026, o valor estimado foi de R$ 7.565,86.
Esse valor equivale a aproximadamente 4,67 vezes o salário mínimo atual, de R$ 1.621,00.
Em julho, a estimativa era de R$ 7.687,01. Já em agosto de 2025, o valor necessário era calculado em R$ 7.147,91.
Os números ajudam a mostrar a diferença entre o salário mínimo recebido por grande parte dos trabalhadores e o valor considerado necessário para uma família de quatro pessoas manter as principais despesas do mês.
Alívio em agosto, mas pressão continua
A queda de 2,07% no preço da cesta básica em Belém representa um alívio para os consumidores, especialmente em um cenário de aumento acumulado dos alimentos ao longo de 2026.
No entanto, os dados mostram que a alimentação continua tendo um peso elevado no orçamento das famílias. O aumento expressivo do feijão, da carne bovina e de outros produtos importantes mantém a pressão sobre os consumidores.
Para os trabalhadores que vivem com o salário mínimo, o desafio é ainda maior: quase metade da renda líquida é suficiente apenas para garantir os 12 produtos básicos da cesta, deixando a outra parte do salário para todas as demais despesas da família.

Da redação do Fato Regional
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