O Programa Brasil Contra o Crime Organizado, coordenado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), já provocou um prejuízo estimado em R$ 3 bilhões às facções criminosas em todo o país, tendo o Sul do Pará como uma das regiões mais estratégicas para a execução das ações de enfrentamento à criminalidade. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (1º) pelo Governo Federal e apontaram, ainda, redução nos principais indicadores de violência em comparação com o mesmo período do ano passado.
Considerada uma área prioritária para as ações de segurança pública, a região sul do estado ainda concentra desafios relacionados à atuação de organizações criminosas envolvidas em disputas territoriais, exploração ilegal de recursos naturais, crimes ambientais, tráfico de drogas e circulação interestadual de armas e mercadorias ilícitas.
Segundo o balanço do programa, as operações integradas realizadas em todo o país resultaram na prisão de 19 mil pessoas, com a participação de 18 mil agentes das forças de segurança federais, estaduais e municipais. As ações também apreenderam 135 toneladas de drogas, erradicando 94 mil pés de maconha, além de terem retirado de circulação mais de 2 mil armas de fogo e 32 mil munições e bloqueado R$ 325 milhões em ativos financeiros e apreendido R$ 723,1 milhões em bens.
Os indicadores de violência também apresentaram queda. Na comparação entre maio de 2026 e maio de 2025, os homicídios dolosos registraram redução de 17,5%, enquanto os latrocínios caíram 14,3%. Já os casos de lesão corporal seguida de morte tiveram diminuição de 38,7%. Nos crimes patrimoniais, os roubos de carga apresentaram queda de 31,9%, os roubos de veículos recuaram 26,6%, os furtos de veículos diminuíram 12% e os roubos a instituições financeiras tiveram redução de 71,4%.
De acordo com o secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, a estratégia adotada pelo programa prioriza a integração entre as forças policiais e o enfraquecimento financeiro das organizações criminosas.
“O crime organizado atua como uma rede. Nossa resposta também precisa ser integrada. Estamos atacando não apenas quem executa os crimes, mas principalmente as estruturas financeiras, logísticas e patrimoniais que sustentam essas organizações. Cada prisão, cada arma apreendida, cada bem confiscado e cada ativo bloqueado representa menos capacidade operacional para o crime e mais segurança para a população”, afirmou.

Lançado pelo presidente Lula (PT) em maio deste ano, o Programa Brasil Contra o Crime Organizado prevê investimentos de R$ 11 bilhões em ações estruturadas em quatro eixos principais: asfixia financeira das facções, fortalecimento da segurança no sistema prisional, qualificação das investigações de homicídios e combate ao tráfico de armas.
No cenário nacional, o Pará é apontado pelo Ministério da Justiça como um dos estados estratégicos para a execução das ações, devido à extensão territorial, à presença de rotas fluviais e à atuação de facções criminosas. A expectativa do governo é que as operações integradas ampliem a capacidade de enfrentamento aos grupos criminosos que atuam na região, considerada uma das mais sensíveis do país no combate ao crime organizado.

(Da Redação do Fato Regional)
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