Comunidade agroextrativista no Marajó comercializa primeiro lote de madeira legalizada

O volume de 367 metros cúbicos de madeira em tora é referente à primeira Unidade de Produção Anual (UPA), iniciada em dezembro de 2020
Crédito: Reprodução IFT.

A exploração sustentável de madeira na Reserva Extrativista Mapuá, no município de Breves, região do Marajó, conquistou mais uma importante etapa. Em abril deste ano, os moradores da Resex finalizaram a venda do primeiro lote de madeira legalizada da comunidade. O volume explorado, de 367 m³ de madeira em tora, é referente à primeira Unidade de Produção Anual (UPA), iniciada em dezembro de 2020.

“O manejo florestal comunitário era um projeto antigo dos moradores daqui. Há muitos anos a gente aguardava por esse momento, pois, sabemos que ele pode significar um divisor de águas no desenvolvimento da nossa comunidade”, comemora o agroextrativista João Batista Brandão, do grupo de manejadores do rio Aramã, responsável pela exploração florestal da primeira UPA. Segundo ele, a exploração e a comercialização da segunda UPA deve ocorrer ainda em 2021.

A exploração madeireira na localidade atende as recomendações do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão responsável pela aprovação do Plano de Manejo Florestal Sustentável (PMFS) da Resex, em setembro de 2019. O Plano contempla uma área de aproximadamente 6.300 hectares, dividida em dois pólos comunitários: “Boa Esperança” e “Santíssima Trindade”.

De acordo com Marcelo Galdino, coordenador do programa Florestas Comunitárias, do IFT, a atual etapa do manejo sustentável de madeira na Resex é reflexo da organização comunitária e do PMFS, que começou a ser elaborado em 2018 a partir de uma oficina do IFT destinada ao grupo de manejadores locais. “Todo o processo de elaboração do plano de manejo contou com a participação da comunidade. Desde a primeira reunião até a finalização do plano, tudo foi feito de forma participativa, ouvindo os manejadores da Unidade, ICMBio e o conselho gestor da Resex”, destaca Galdino.

No Plano de Manejo Florestal Sustentável a comunidade se propõe a promover o uso tradicional dos recursos naturais de forma sustentável, condizentes ao modo de vida da população tradicional residente no interior da Resex.

Assessoria técnica do IFT

Antes de iniciar oficialmente o manejo florestal na comunidade, todos os manejadores passaram por cursos de treinamento e capacitação realizados pelo IFT. Entre os cursos ofertados estiveram Técnicas de planejamento e abertura de infraestrutura (TOI) e Técnicas especiais em derruba de árvores (TCS). “Todas essas capacitações, divididas em aulas práticas e teóricas, abordaram diversos conhecimentos destinados ao aumento da eficiência do manejo florestal, segurança e conforto no trabalho com uso de motosserras durante às diversas atividades com exploração de impacto reduzido e planejamento e abertura manual de estradas para facilitar o transporte da madeira”, afirma o técnico florestal João Adriano Lima.

O coordenador do programa Florestas Comunitárias ressalta ainda que o manejo madeireiro não se resume à retirada e venda da madeira. “O manejo comunitário é um conjunto de técnicas e metodologias que envolve as comunidades durante boa parte do ano. O IFT também realiza capacitações de exploração de impacto reduzido e orienta atividades prévias à extração madeireira, como o levantamento de estoque, classificação e cubagem de madeira”.

Florestas Comunitárias


O assessoramento do manejo sustentável na Resex Mapuá é uma iniciativa do projeto “Florestas Comunitárias”, que tem o objetivo de apoiar a implementação de modelos de manejo florestal comunitário para uso e comercialização de madeira e açaí na localidade. O projeto conta com o apoio financeiro do BNDES, por meio do Fundo Amazônia, e com as parcerias institucionais da Caterpillar, Keila Florestal e Stihl.

 

Com informações da Ascom

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