Conhecimento indígena e pesquisa científica revelam riqueza da biodiversidade em território preservado da Amazônia

Primeiro inventário realizado na Terra Indígena Panará, entre o Pará e Mato Grosso, registrou 14.823 animais de 602 espécies, incluindo 27 ameaçadas de extinção. Estudo une saberes tradicionais e ciência para ampliar o conhecimento sobre a fauna amazônica e fortalecer estratégias de conservação ambiental
Pesquisa identificou espécies desconhecidas pelos próprios indígenas Panará (Foto: Reprodução / Conservação Internacional)

O primeiro inventário da fauna e da flora da Terra Indígena Panará registrou 14.823 animais de 602 espécies, incluindo 27 ameaçadas de extinção. O levantamento, realizado a partir da união entre o conhecimento tradicional do povo Panará e a pesquisa científica, será apresentado entre os dias 18 e 20 de junho, durante um seminário na Universidade Federal do Pará (UFPA), em Belém.

Localizada na divisa entre os estados do Pará e Mato Grosso, a Terra Indígena Panará abriga uma das áreas mais preservadas da Amazônia. O estudo catalogou espécies ameaçadas, como o macaco zogue-zogue (Plecturocebus vieirai), e vulneráveis, a exemplo do tatu-canastra (Priodontes maximus), além de registrar a presença de animais considerados essenciais para o equilíbrio ecológico da floresta, como onças e porcos-do-mato.

Projeto reúne universidades, organizações ambientais e pesquisadores indígenas (Foto: Reprodução / Conservação Internacional)

As pesquisas também identificaram espécies que não eram conhecidas pelos próprios Panará, entre elas a maria-leque (Onychorhynchus coronatus) e a perereca-de-vidro (Hyalinobatrachium cappellei). Os resultados foram obtidos por meio de um modelo de pesquisa intercultural que reúne pesquisadores indígenas e acadêmicos no monitoramento da biodiversidade.

O projeto é desenvolvido pela Conservação Internacional (CI-Brasil), Associação Indígena Iakiô, Rede Xingu+, Instituto Socioambiental (ISA), Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Jardim Botânico do Rio de Janeiro. A iniciativa busca integrar saberes tradicionais, pesquisa científica e tecnologia para gerar informações estratégicas para a conservação da Amazônia.

Segundo a diretora do Programa Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais da CI-Brasil, Renata Pinheiro, o conhecimento dos Panará foi fundamental para ampliar a compreensão sobre a biodiversidade da região e fortalecer as estratégias de conservação do território.

Os resultados do inventário serão apresentados durante o Seminário Saberes e Conservação de Territórios Indígenas, que ocorre entre nesta quinta (18) e sexta-feira (19), na UFPA. O evento também discutirá o potencial desse modelo de monitoramento para apoiar a conservação de outros territórios indígenas e áreas prioritárias para a biodiversidade no Brasil.

A programação é gratuita e contará com a participação de pesquisadores, estudantes e lideranças indígenas. O seminário também será transmitido ao vivo pela internet.

Modelo de monitoramento pode ser aplicado em outros territórios da Amazônia (Foto: Reprodução / Conservação Internacional)

(Da Redação do Fato Regional)

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