sábado, 20 de julho de 2024

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Corpo de agricultor morto na desintrusão da Apyterewa ainda aguarda perícia e moradores voltam a enfrentar a Força Nacional

O corpo do trabalhador rural só foi removido mais de 10 horas após ser baleado por agentes da Força Nacional, como relatam moradores no local. No segundo enfrentamento desta segunda-feira (16/10), um culto evangélico foi interrompido por bombas de efeito moral e gás lacrimogênio
Debaixo da faixa na qual moradores da Apyterewa pediam ajuda humanitária à ONU, o Batalhão de Choque da Força Nacional se alinhava para reprimir os protestos da comunidade após a morte de um agricultor (Foto: Neia Craveiro / Jucelino Show na Net / Especial para o Fato Regional)

O corpo do trabalhador rural Ozéas Santos Ribeiro, de 37 anos, morto a tiros na Apyterewa, em São Félix do Xingu, ainda aguarda por uma perícia criminal na noite desta segunda-feira (16). O cadáver só foi removido mais de 10 horas após ser supostamente baleado por agentes da Força Nacional de Segurança, que o mantiveram sob custódia por várias horas antes de ele morrer. Devido à distância, a perícia de local de crime foi comprometida.

 

Ozéas tinha 37 anos e morava há bastante tempo na Apyterewa, onde trabalhava como agricultor e prestava serviços diversos para sobreviver (Foto: Reprodução / Redes Sociais)

 

A Redação do Fato Regional tem estado em contato com o Gabinete de Comunicação da Operação de Desintrusão.

Enquanto isso, o corpo de Ozéas foi transferido para um hospital de São Félix do Xingu. Uma equipe da Polícia Científica do Pará saiu de Marabá por volta de 16h rumo ao município no sul do estado. No entanto, como a morte do agricultor ocorreu numa área federal e supostamente por agentes federais, a investigação deve ser feita pela Polícia Federal e não pela Polícia Civil. O procedimento ainda não foi elucidado pelo Governo do Pará, nem pela PF e nem pelo Gabinete de Comunicação da Desintrusão.

Na extensão Apyterewa, de onde cerca de 2 mil famílias devem sair até o dia 31 de outubro — prazo inicial antes do anúncio da suspensão da operação —, o clima ainda é de tensão. Moradores reclamam do impedimento de acesso a alimentos e água e truculência dos agentes federais. Nesta terça-feira (17), a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa), a convite do deputado estadual Torrinho Torres (Podemos) e apoio do senador Beto Faro (PT) irá à área.

O prefeito João Cleber manifestou uma nota de pesar pela morte de Ozéas, em nome da Prefeitura Municipal de São Félix do Xingu. Em nome da Câmara Municipal de São Félix do Xingu, a presidente do parlamento, vereadora Adriana Torres, repudiou a violência e truculência na operação de desintrusão. No confronto desta tarde, um culto em uma igreja evangélica da comunidade foi interrompido com a explosão das bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo dentro do imóvel.

Por nota, a Assessoria de Comunicação da operação informou que “A orientação do governo federal é usar a força somente no que é estritamente necessário para cumprir a ordem judicial. Contudo, na última segunda-feira (16/10), um dos invasores tentou tomar a arma de um dos policiais da Força Nacional de Segurança, resultando em um tiro que, infelizmente, levou a óbito o invasor”.

A Redação do Fato Regional segue acompanhando a operação de desintrusão da Apyterewa, em São Félix do Xingu, e repercussões em Brasília. Acompanhe nossa cobertura!

(Da Redação do Fato Regional, com informações de Jucelino Show na Net)


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