Quase duas semanas após Carlos Fávaro, titular do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), assegurar que iria tomar providências para a recomposição dos preços do cacau do Pará, os produtores seguem desanimados com os valores em baixa. O município de Tucumã segue com o fruto mais valorizado e acima da cotação nacional, superando também o mercado da Bahia e do Espírito Santo nesta segunda-feira (23). Já São Félix do Xingu apresentou valor abaixo da cotação estadual.
Nesta segunda-feira, a Coopertuc, de Tucumã, registrou o preço a R$ 14 o quilo. Já a Camppax, de São Félix do Xingu, apontou o quilo a R$ 10. Pelas informações do Mercado do Cacau, a cotação estadual do Pará ficou em R$ 10,50, enquanto que a arroba da Bahia (15 kg) ficou em R$ 155 e a saca do Espírito Santo (60 kg) marcou R$ 620. O Pará responde por mais de 51% da produção nacional e tem as polpas e amêndoas reconhecidas, mundialmente, como de alta qualidade.
Estudos da Sedap e Ceplac mostram que a produção de cacau do Pará aumentou a produção em 3,8%, entre 2023 e 2024. A área plantada no estado também aumentou em 5,1%. Os 12 maiores municípios produtores são: Altamira, Brasil Novo, Medicilândia, Uruará, Vitória do Xingu, Anapu, Placas, Rurópolis, Aveiro (Fordlândia), Tucumã e Tomé-Açu. O cacau é uma commodity, ou seja, sofre variações de preço a partir de influências do mercado global.

Enquanto em 2025 o cacau do Pará registrava preços que batiam a marca de R$ 60 por quilo, a poucos meses da Páscoa, os preços mal passam de R$ 10. Entre os motivos da queda brusca de preços está a abertura do mercado brasileiro para importações do fruto vindo da África. Produtores paraenses defendem que o fruto estrangeiro não segue os mesmos padrões de qualidade do Brasil e pode colocar o cacau local em risco de pragas.
No dia 11 de fevereiro, o ministro Carlos Fávaro assumiu quatro compromissos, diante do governador Helder Barbalho (MDB) e de representantes dos municípios de São Félix do Xingu, Tucumã, Uruará, Vitória do Xingu, Medicilândia, Senador José Porfírio, Anapu, Placas, Altamira e Brasil Novo. As medidas seriam para garantir a competitividade e preço adequado ao cacau brasileiro.
As medidas anunciadas foram que a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revisasse as previsões de safra e do preço mínimo do cacau paraense, além de promover uma nova avaliação sanitária sobre as importações. Também estão em pauta a reavaliação do regime de “drawback”, que permite a entrada do cacau estrangeiro no país sem recolhimento de impostos, e das cotas de importação das amêndoas de cacau. Outro compromisso do Governo Federal é fortalecer as ações de promoção comercial, com foco na abertura e consolidação de novos mercados para o cacau brasileiro.
(Da Redação do Fato Regional)
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