Família de Tucumã, no Sul do Pará, faz apelo para trazer brasileira em situação de rua nos Estados Unidos, com saúde mental abalada, de volta ao Brasil

A família pede o apoio das autoridades brasileiras e da sociedade na busca por soluções legais e humanitárias que permitam localizar, proteger e trazer Evaneide dos Santos Rodrigues, natural de Tucumã, de volta ao Brasil, onde poderá receber tratamento especializado e acolhimento familiar
Neide deixou o Brasil para trabalhar na Espanha e em 2020 se mudou para os Estados Unidos, onde se estabeleceu em Miami e tudo parecia bem até fevereiro de 2023, quando o contato dela com a família ficou limitado e ela já dava indícios de não estar bem (Foto: Acervo pessoal cedido ao Fato Regional)

A família de Evaneide dos Santos Rodrigues, conhecida como Neide, natural de Tucumã, no Sul do Pará, faz um apelo público às autoridades brasileiras e à sociedade para ajudá-la a retornar ao Brasil. Neide, como relatam familiares dela, vive atualmente em situação de rua em Miami, nos Estados Unidos. Um dos principais desafios é que ela enfrenta uma grave crise de saúde mental, recusando qualquer tipo de ajuda e limitando a capacidade de atuação das autoridades estadunidenses.

Neide tem 41 anos e morou por aproximadamente dez anos na Espanha, onde trabalhou, construiu amizades e manteve contato constante com a família. Em 2020, mudou-se para os Estados Unidos em busca de novas oportunidades. Primeiro viveu em Boston e, posteriormente, estabeleceu-se em Miami, onde trabalhava cuidando de uma residência e de crianças em Key Biscayne. Kamila dos Santos Lopes, sobrinha de Evaneide, observa que tudo mudou no início de 2023.

“Ela sempre foi muito presente. Em fevereiro de 2023, ligou para minha mãe desesperada, dizendo que precisava deixar a casa onde morava porque não conseguia mais pagar o aluguel. Disse que, se não encontrasse outro lugar, teria que morar dentro do próprio carro”, relata Kamila. Desde essa ligação, Neide ficou incomunicável até novembro de 2024, quando num novo contato com a família, parecia com medo e abalada. Após essa ligação, não tiveram mais notícias até este ano.

Família acionou autoridades do Brasil e dos Estados Unidos, além de hospitais e igrejas na  busca por Neide

A família entrou em contato com amigos, hospitais, igrejas, autoridades dos Estados Unidos, Consulado Brasileiro, Itamaraty, advogados e diversas instituições, na tentativa de descobrir o paradeiro de Neide e ajudá-la. Nessa busca, documentos foram obtidos pela família e mostrando que ela recebeu atendimento por uma equipe especializada em crises de saúde mental nos dias 6, 7 e 8 de maio deste ano.

Também foram localizados registros públicos que mostram que, em 27 de março de 2026, ela foi detida após entrar em uma residência em construção, em Miami. No relatório policial, ela foi encontrada sentada dentro do imóvel, sem responder às perguntas do proprietário e, posteriormente, sem responder aos policiais acionados para o caso. Outro fato que chamou a atenção da família foi que o veículo de Neide foi encontrado abandonado em Key Biscayne.

Neide tem 41 anos e segundo a família sempre foi uma mulher meiga, sadia, trabalhadora, amável e que sempre manteve contato com a família, mas atualmente vive em situação de rua nos Estados Unidos e, possivelmente, com uma grave crise de saúde mental, que dificulta o contato com ela e a faz recusar todo tipo de ajuda ofertada (Foto: Acervo pessoal cedido ao Fato Regional)

As buscas também levaram a família até a igreja MMM Pequena Havana, em Miami. Membros da igreja informaram que Neide frequentava o local e que diversas vezes tentaram ajudá-la. Segundo os relatos enviados à família, a igreja chegou a pagar hospedagem em hotel, oferecer alimentação e outras formas de assistência, mas ela recusava qualquer ajuda. Outra pessoa que tentou ajudá-la foi Cláudia, amiga de Neide há mais de 15 anos. Ela viajou de Boston até Miami exclusivamente para encontrá-la, mas ao reencontrá-la, Neide não a reconheceu. Cláudia tentou pedir, judicialmente, uma intervenção para ajudá-la, mas o pedido foi negado.

‘Só queremos salvar a vida da nossa tia’, apela sobrinha de Neide

Diante de todos os documentos reunidos, dos registros de atendimento por equipes especializadas, dos relatos da igreja, das informações prestadas por pessoas que convivem com ela em Miami e do testemunho de Cláudia, a família afirma ter convicção de que Neide enfrenta uma grave crise de saúde mental que compromete sua capacidade de reconhecer a própria situação e aceitar tratamento. Mesmo após inúmeras tentativas junto ao Consulado Brasileiro, Itamaraty, autoridades estadunidenses, hospitais, igrejas, advogados e outros órgãos, a família ainda não conseguiu garantir que Neide receba o tratamento necessário nem viabilizar seu retorno ao Brasil.

A família pede o apoio das autoridades brasileiras, do Governo Federal, do Ministério das Relações Exteriores, de parlamentares, do Consulado Brasileiro e da sociedade na busca por soluções legais e humanitárias que permitam localizar, proteger e trazer Neide de volta ao Brasil, onde poderá receber tratamento especializado e o acolhimento da família. O Fato Regional acionou o Ministério das Relações Exteriores para um posicionamento sobre o caso e possíveis orientações à família de Neide.

“Nós não queremos nenhum privilégio. Só queremos salvar a vida da nossa tia. Ela sempre foi uma mulher trabalhadora, amorosa e muito ligada à nossa família. Hoje está sozinha em outro país, vivendo nas ruas e recusando ajuda. Queremos apenas trazê-la para casa, onde será acolhida, cuidada e poderá receber o tratamento de que precisa”, afirma Kamila.

A família informa que possui documentos públicos, registros de atendimentos, documentos judiciais, informações sobre o veículo, conversas com pessoas que tiveram contato direto com Neide e outros materiais que comprovam toda a história e podem ser apresentados às autoridades.


(Da Redação do Fato Regional)

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