Uma inspeção realizada pelo Ministério da Saúde em unidades públicas de saúde de Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém, identificou uma série de problemas relacionados à estrutura, higienização e utilização de leitos hospitalares. Entre os principais apontamentos está a existência de vagas de UTI disponíveis enquanto pacientes em estado grave aguardavam internação.
As irregularidades foram constatadas pelo Departamento Nacional de Auditoria do SUS (Denasus) durante uma vistoria realizada no dia 5 de agosto no Hospital Municipal de Ananindeua e na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24h Icuí Daniel Berg. As duas unidades fazem parte da rede pública municipal.
De acordo com o relatório da fiscalização, alguns pacientes chegaram a permanecer por mais de 30 dias em macas do pronto atendimento à espera de uma vaga para internação. Ao mesmo tempo, foram identificados leitos de terapia intensiva que estavam desocupados.
A inspeção também encontrou problemas relacionados à higienização das unidades. Entre os itens apontados como ausentes estavam sabonete e álcool 70%, considerados produtos básicos para a manutenção das condições sanitárias e de segurança no atendimento.
No Pronto Socorro, os fiscais ainda classificaram a estrutura física como insuficiente para as necessidades da unidade.
Prefeitura contesta apontamentos
Em nota encaminhada ao portal G1 Pará, a Prefeitura de Ananindeua afirmou que não havia leitos ociosos no momento da fiscalização. Segundo a administração municipal, os pacientes mencionados no relatório haviam sido transferidos para leitos de outras especialidades.
A prefeitura também declarou que o Hospital Municipal permanece em funcionamento regular e que os materiais utilizados na higienização são mantidos de forma permanente.
Denasus abre auditoria
Após os problemas identificados durante a inspeção, o Denasus instaurou uma auditoria para aprofundar a apuração sobre o funcionamento das unidades. Segundo o Ministério da Saúde, o procedimento terá caráter de conformidade, operacional e financeira.
As conclusões preliminares da vistoria foram encaminhadas à Secretaria Municipal de Saúde de Ananindeua no dia 31 de agosto. O órgão determinou que a secretaria e as direções técnicas dos estabelecimentos adotem providências para corrigir os problemas apontados.
Entre as medidas solicitadas estão melhorias na infraestrutura, regularização do abastecimento de insumos e aperfeiçoamento do sistema de regulação de pacientes.
Recursos federais também serão analisados
A auditoria vai investigar ainda a aplicação dos recursos federais destinados ao município, especialmente diante do apontamento sobre a existência de leitos de UTI sem ocupação enquanto havia pacientes aguardando atendimento especializado.
Outro ponto que será analisado é o funcionamento da regulação municipal de leitos. O objetivo é verificar como as vagas são administradas e quais critérios são utilizados para encaminhar pacientes que necessitam de internação.
O Denasus também pretende apurar possíveis responsabilidades relacionadas a diferenças entre os dados registrados no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) e a realidade encontrada pelas equipes durante a inspeção.
A auditoria deverá aprofundar as informações levantadas na vistoria e apontar eventuais medidas necessárias para adequar o funcionamento das unidades da rede pública de Ananindeua.

Com informações do G1 Pará
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