O vazamento de monômero de estireno registrado na unidade 4 da empresa Innova, no Distrito Industrial de Manaus, colocou a capital amazonense em estado de alerta e mobilizou uma grande força-tarefa envolvendo órgãos municipais e estaduais. A medida foi anunciada pelo prefeito Renato Junior (Avante), que também determinou a criação de um gabinete de crise para coordenar as ações de resposta, monitoramento e proteção da população diante da ocorrência.
De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), 107 pessoas procuraram atendimento na rede pública após o incidente. Destas, 104 receberam alta médica e três permanecem internadas. A recomendação da prefeitura é para que a população evite circular nas proximidades da área afetada, enquanto equipes especializadas acompanham a evolução do caso.
O monômero de estireno é um composto químico utilizado como matéria-prima na fabricação de plásticos e outros produtos industriais. Em condições normais, é um líquido incolor, mas a exposição ao produto pode provocar irritação nos olhos, pele e vias respiratórias, além de causar mal-estar quando inalado em grandes concentrações.
A resposta à emergência reúne 12 órgãos municipais, entre secretarias e institutos, além da Defesa Civil, responsáveis pelo monitoramento ambiental, assistência à população e reforço no atendimento das unidades de saúde localizadas nas áreas mais próximas ao Distrito Industrial. O município informou ainda que acompanha as ações dos órgãos competentes e cobra informações oficiais sobre a evolução da ocorrência.
Moradores de bairros das zonas Sul e Leste relataram forte odor semelhante ao de tinta durante a noite e a madrugada. Alguns disseram ter apresentado sintomas como espirros, irritação e desconforto respiratório, o que motivou a procura por atendimento médico.
Segundo o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), o isolamento permanece em um raio de 300 metros ao redor do tanque onde ocorreu a reação química. A empresa vizinha foi evacuada e apenas equipes envolvidas na operação têm acesso ao local. A corporação informou que uma perícia será realizada para identificar as causas do incidente.
A principal hipótese investigada é de que tenha ocorrido uma reação espontânea no interior do tanque de armazenamento, provocando o superaquecimento do produto. Conforme os bombeiros, o acionamento das válvulas de segurança evitou consequências mais graves, como explosão ou incêndio, mas resultou na liberação do material sob alta pressão.
Os impactos também atingiram serviços públicos e a rotina da cidade. Dezesseis escolas da rede municipal, três escolas estaduais, uma unidade do Serviço Social da Indústria (Sesi) e o Pronto Atendimento ao Cidadão (PAC) Studio 5 suspenderam as atividades preventivamente. As aulas devem ser retomadas gradualmente após a sanitização das unidades e novas avaliações das condições ambientais.
Empresas instaladas no Distrito Industrial também adotaram medidas de precaução. Segundo a Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), pelo menos 18 empresas liberaram seus funcionários para retornar às residências enquanto as equipes de emergência trabalham no controle da situação.
A Innova informou, em nota, que um dos tanques de monômero de estireno sofreu uma reação química e que a brigada de incêndio da empresa atua em conjunto com o Corpo de Bombeiros. A companhia afirmou ainda que não houve vítimas dentro da unidade. Até o momento, não há informações sobre eventual responsabilização da empresa pelo incidente.

(Da Redação do Fato Regional)
Siga o Fato Regional no Facebook, no Instagram e no nosso canal no WhatsApp!













