Apesar do cenário de incertezas provocado pelas novas tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, a Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA) avaliou que a relação comercial entre o estado e o mercado norte-americano permanece estratégica. A preocupação é maior em regiões exportadoras, como o sul do Pará, onde a mineração e a indústria de transformação têm forte participação na economia e podem ser impactadas por oscilações no comércio internacional. A análise constou em nota técnica divulgada nesta sexta-feira (17) e elaborada pelo Centro Internacional de Negócios (CIN) e pelo Observatório da Indústria da entidade. Nota Técnica_FIEPA CIN e Observatório da Indústria – Tarifaço Pará x Estados Unidos.pdf
No primeiro semestre de 2026, as exportações paraenses destinadas aos Estados Unidos somaram US$ 416,7 milhões, uma retração de 29,9% em relação ao mesmo período do ano passado. Em contrapartida, as importações cresceram 26,6%, alcançando US$ 590,2 milhões. Com isso, a balança comercial entre o Pará e os norte-americanos passou de um superávit de US$ 128,6 milhões para um déficit de US$ 173,5 milhões. Nota Técnica_FIEPA CIN e Observatório da Indústria – Tarifaço Pará x Estados Unidos.pdf
Segundo a FIEPA, a redução das exportações não pode ser atribuída exclusivamente às novas tarifas impostas pelos Estados Unidos. A entidade disse que oscilações semelhantes já ocorreram em anos anteriores e reforça que fatores econômicos globais também influenciam o desempenho do comércio exterior. Ainda assim, municípios do sul do Pará, fortemente ligados à cadeia mineral, acompanham o cenário com atenção devido à dependência das exportações para o mercado internacional. Nota Técnica_FIEPA CIN e Observatório da Indústria – Tarifaço Pará x Estados Unidos.pdf
A nota técnica ressalta, porém, que produtos estratégicos da pauta exportadora do Pará permaneceram fora da lista de sobretaxas. Entre eles estão o açaí, pescados, crustáceos, ferro-gusa, aço e carne bovina, itens que ajudam a preservar parte da competitividade do estado e reduzem os riscos para cadeias produtivas presentes em diferentes regiões paraenses. Nota Técnica_FIEPA CIN e Observatório da Indústria – Tarifaço Pará x Estados Unidos.pdf
O açaí foi um dos principais destaques. O produto foi incluído pelo governo norte-americano entre os alimentos isentos das novas tarifas por não haver produção suficiente nos Estados Unidos para atender à demanda interna. Entre janeiro e junho deste ano, as exportações do fruto alcançaram US$ 37,4 milhões, com embarque de 9.470 toneladas, mantendo a presença do produto paraense em um dos mercados mais importantes do mundo. Nota Técnica_FIEPA CIN e Observatório da Indústria – Tarifaço Pará x Estados Unidos.pdf

Diante desse cenário, a FIEPA afirma que continuará monitorando os desdobramentos da política comercial norte-americana e defende a manutenção do diálogo entre Brasil e Estados Unidos para reduzir impactos sobre a indústria paraense, especialmente em polos exportadores como o sul do estado.

(Da Redação do Fato Regional)
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