Enquanto muitos casais celebram o Dia dos Namorados, um morador especial do BioParque Vale Amazônia, localizado na Floresta Nacional de Carajás, em Parauapebas, também vive a expectativa de encontrar seu par ideal. O protagonista dessa história é Amendoim, um macho de sauim-de-coleira, espécie de primata ameaçada de extinção que aguarda a chegada de uma fêmea para formar casal e contribuir para a preservação da própria espécie.
Pequeno, ágil e facilmente reconhecido pela característica pelagem branca que forma uma espécie de “coleira” ao redor da cabeça, pescoço e peito, o sauim-de-coleira (Saguinus bicolor) é um dos primatas mais ameaçados do mundo. A espécie é endêmica do Brasil e ocorre apenas em áreas restritas do estado do Amazonas, onde enfrenta ameaças como o avanço da urbanização, o desmatamento e a perda de habitat.
De acordo com o Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (SALVE), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a população da espécie pode sofrer redução superior a 50% nas próximas três gerações, o equivalente a cerca de 18 anos.
A esperança para mudar esse cenário passa por programas de conservação desenvolvidos por instituições brasileiras. O BioParque Vale Amazônia integra a Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil (AZAB) e participa de iniciativas voltadas à conservação, realizada fora do ambiente natural. O objetivo é formar populações de segurança sob cuidados humanos, preservando a diversidade genética e ampliando as chances de sobrevivência da espécie.
A expectativa é que uma fêmea compatível com Amendoim seja transferida para o BioParque ainda neste segundo semestre. A busca envolve uma rede de instituições nacionais e internacionais que compartilham informações genéticas e populacionais para garantir o melhor pareamento possível.
Segundo a presidente da AZAB, Mara Cristina Marques, a conservação de espécies ameaçadas depende da atuação conjunta entre zoológicos, aquários, órgãos ambientais e centros de pesquisa.
“Os zoológicos e aquários atuam como centros de conservação, pesquisa e educação, desempenhando um papel estratégico na proteção da biodiversidade. O compartilhamento de informações técnicas e genéticas permite identificar indivíduos compatíveis para a formação de casais e o manejo reprodutivo, fortalecendo as populações sob cuidados humanos”, explicou.

A história de Amendoim também é marcada pela superação. O animal chegou ao BioParque em dezembro de 2022, após ser resgatado pelo Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS/Ibama), em Manaus. Ele havia sobrevivido a um ataque de cachorro que matou o animal adulto que o acompanhava, possivelmente seu pai.
Hoje, recuperado, Amendoim integra um programa nacional de conservação. Segundo o médico-veterinário do BioParque Vale Amazônia, Nereston de Camargo, a formação de um casal representa um passo importante para o futuro da espécie.
“Localizando uma fêmea, a proposta é viabilizar o pareamento dos indivíduos, buscando ampliar as chances de reprodução. Esse acompanhamento permite contribuir diretamente para a sobrevivência do sauim-de-coleira”, disse.
Além do trabalho desenvolvido por instituições especializadas, especialistas ressaltam que a conservação da biodiversidade depende também da participação da sociedade. Evitar queimadas, combater o tráfico de animais silvestres, descartar corretamente resíduos e apoiar ações de educação ambiental são medidas que ajudam a proteger a fauna amazônica.
Enquanto a futura companheira não chega, Amendoim segue sua rotina no BioParque, cercado por cuidados especiais. E, neste Dia dos Namorados, sua história serve como um lembrete de que, para algumas espécies, encontrar um par pode significar muito mais do que formar um casal: pode representar uma chance de sobrevivência.

(Da Redação do Fato Regional)
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