O Governo do Pará implantou o “Cacaupará”, um pioneiro sistema estadual integrado de rastreabilidade do cacau do Brasil. A plataforma digital acompanha todo o percurso da produção, desde o cadastro da propriedade rural até a chegada do produto à indústria. Já é possível acessar, por meio da página da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap). Atualmente, o estado possui cerca de 34 mil produtores e a meta do governo é cadastrar todos, aumentando a competitividade e valor do fruto paraense.
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O “Cacaupará” foi desenvolvido com recursos do Fundo de Apoio à Cacauicultura do Estado do Pará (Funcacau) e começou a funcionar em caráter experimental no dia 1º de março. Mais de 50 técnicos e representantes de produtores, incluindo cooperativas, já participaram de capacitações iniciadas em dezembro de 2025 para utilização da nova ferramenta. Considerado moderno, integrado e seguro, o sistema reforça a credibilidade do cacau do Pará nos mercados nacional e internacional, além de qualificar de forma inédita a gestão dos projetos financiados pelo fundo.
A implantação do sistema ocorre em um momento estratégico para a cadeia produtiva. A nova regulamentação europeia EUDR (European Union Deforestation Regulation) determina que apenas produtos com comprovação de origem livre de desmatamento após 31 de dezembro de 2020 poderão ingressar no mercado europeu. A medida impacta cadeias produtivas como cacau, café, soja, madeira e carne bovina. Daí a necessidade de soluções tecnológicas para garantir que o cacau do Pará permaneça competitivo e apto a acessar mercados que valorizam práticas sustentáveis.
Giovanni Queiroz, secretário de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca, diz que todas as etapas da rastreabilidade são registradas digitalmente na plataforma. Entre as funcionalidades estão o cadastro georreferenciado das propriedades, a validação ambiental automática por meio do cruzamento com o Cadastro Ambiental Rural (CAR), o registro das práticas produtivas, o controle da colheita e da movimentação do produto, a geração de QR Code por lote e a disponibilização de relatórios e painéis de monitoramento em tempo real para auditorias e exportação.
“É um rastreamento extremamente importante para nós paraenses como para o Brasil. É compreender exatamente o que temos de área plantada, como está sendo conduzida e produzida efetivamente a amêndoa de cacau; essa plataforma digital irá nos acrescentar informações como o tamanho da área, a prospecção efetiva de produção por ano e com isso levar oportunidade de conhecimento ao produtor para que possamos melhorar mais ainda a nossa amêndoa”, destacou o secretário.

Programa pioneiro valoriza o cacau do Pará e mira no mercado internacional
Para o coordenador do Programa de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva da Cacauicultura no Pará (Procacau), Ivaldo Santana, o sistema coloca o Pará na vanguarda da rastreabilidade do cacau no país. “O mercado internacional exige a rastreabilidade de várias culturas e agora chegou a vez do cacau. Largamos na frente para fazer esse trabalho. Estamos em fase de teste, mas o software já pode ser acessado pelos integrantes da cadeia produtiva por meio do site da Sedap. É um sistema em que pretendemos inserir todos os dados, como é feita a colheita, a fermentação e cada passo que a amêndoa der fora da propriedade será registrado para poder fazer o caminho de volta”, explicou.
A implantação do sistema ocorre de forma escalonada, em etapas de configuração, implementação e expansão. Entre as metas estão o cadastramento de milhares de propriedades, a integração com as indústrias, a ampliação da cobertura territorial e a disponibilização periódica de indicadores estratégicos para acompanhamento da cadeia produtiva e dos projetos financiados pelo Funcacau.
O sistema foi concebido para conectar os principais agentes estratégicos da cadeia produtiva do cacau no estado, entre eles a Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará), a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater Pará), a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), o Ideflor-Bio e o Sistema Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Pará (Faepa)/Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar).
(Da Redação do Fato Regional)
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