O açaí pode ter propriedades neuroprotetoras, capazes de ajudar na prevenção de depressão e ansiedade, quando consumido durante a infância e adolescência. A constatação veio dos estudos de um grupo de 13 pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA). Eles assinam um artigo publicado na revista Food Research International, em janeiro deste ano. As primeiras experiências com ratos foram promissoras e abrem caminho para a pesquisa com humanos. As informações são de Amazônia Vox.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que cerca de 1 bilhão de pessoas no planeta convivem com doenças da mente. Depressão e ansiedade são as principais queixas, sobretudo em levantamentos feitos no Brasil. Segundo a reportagem do Amazônia Vox, a principal inovação da pesquisa era não apenas encontrar propriedades do açaí que pudessem combater os dois transtornos psíquicos, mas sim a capacidade do consumo de prevenir as doenças.
A pesquisa foi conduzida pela doutoranda Taiana Simas, do Laboratório de Farmacologia da Inflamação e do Comportamento (Lafico / UFPA), sob orientação da neurocientista Cristiane Maia e participação do pesquisador Hervé Rogez, que tem um extenso trabalho de pesquisa com frutas da Amazônia. Os testes com ratos contaram com dois grupos: um que tomava suco clarificado de açaí e outro que não consumia a fruta. Foram notados menos sinais de ansiedade e depressão nos ratos que tomavam açaí (cerca de meio litro por dia), a partir de testes comportamentais e de análise do cérebro.

Para Taiana, esse tipo de avaliação científica fortalece o conhecimento tradicional, ainda mais em algo que culturalmente já está presente na alimentação amazônida e que deve ser valorizado. “Acho muito importante a gente avaliar esse aspecto de composto bioativo dentro da nossa região, para que possa nos ajudar a evitar doenças e não a tratá-las com mais medicamentos. Por isso é que a gente apostou nesse aspecto de prevenção, utilizando uma matriz local e não um fármaco propriamente dito”, observa a pesquisadora.
Açaí é ‘escudo natural’ contra ansiedade e depressão
Pela pesquisa, os compostos bioativos do açaí aumentaram enzimas protetoras no córtex pré-frontal (parte do cérebro responsável pelo controle emocional) e hipocampo ventral (parte ligada à resposta ao estresse), além de reduzir danos oxidativos na amígdala (outra parte do cérebro, onde se processa o medo), sem alterar neurotransmissores como serotonina. Ou seja: os compostos do açaí atuaram como “escudo natural” contra o estresse celular em regiões do cérebro que são responsáveis pelas emoções, promovendo bem-estar mental, especialmente na fase vulnerável da adolescência.

“A gente tem uma enzima no nosso corpo chamada catalase, que é como se fosse uma enzima boa, que aumenta em caso de inflamação. Então, nos animais que tiveram dieta à base de açaí, a gente teve uma melhora significativa dessa enzima”, explicou a pesquisadora Marta Barbosa. O uso de ratos é consenso na ciência, por sua compatibilidade de 99% com humanos, sendo amplamente adotado antes de testes em pessoas.
O artigo sobre a pesquisa é intitulado “O consumo nutricional de suco de açaí (Euterpe oleracea) clarificado e rico em compostos fenólicos induz efeitos ansiolíticos e antidepressivos durante a adolescência em ratos”. A publicação, com texto original em inglês, pode ser conferida no site da revista Food Research International, uma das publicações mais respeitadas da comunidade científica internacional.
(Daniel Nardin, com edição de Natália Mello, e imagens de Márcio Nagano do Amazônia Vox. Reedição pela Redação do Fato Regional)
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