Polícia Civil investiga suposto erro da PM após mortes de dois trabalhadores de Eldorado do Carajás durante ocorrência de furto em fazenda

Após pressão da família e de manifestações por justiça, a PM instaurou procedimento administrativo e Polícia Civil transferiu investigação para a Delegacia de Homicídios de Parauapebas. Gustavo e Marcos estariam trabalhando no momento da ocorrência de furto em uma fazenda de Eldorado do Carajás, mas policiais militares disseram ter sido recebidos a tiros por eles.
PM afirmou que não compactua com desvios de conduta de seus agentes (Foto: Reprodução / Redes Sociais)

A Polícia Militar e a Polícia Civil iniciaram investigações internas para apurar a morte de Gustavo da Silva Souza e Marcos Jhones Rodrigues da Silva, ocorrida no dia 29 de junho, durante uma ação policial em uma propriedade rural na Vicinal Santa Maria, em Eldorado do Carajás. Na ocasião, a versão inicialmente apresentada pela Polícia Militar informou que equipes da 25ª Companhia Independente foram acionadas para atender uma ocorrência de furto em andamento.

Segundo os policiais envolvidos no caso, ao chegarem ao local, teriam sido recebidos a tiros por homens armados, que supostamente seriam Gustavo e Marcos. Teria ocorrido confronto e os dois homens foram baleados. Eles chegaram a ser socorridos, mas morreram no hospital. A PM também informou ter apreendido armas e recuperado objetos que seriam provenientes do furto. No entanto, familiares das vítimas passaram a contestar a versão oficial.

Familiares e amigos defendem que Gustavo e Marcos eram trabalhadores, tinham emprego, residência fixa e não possuíam envolvimento com atividades criminosas. Desde então, manifestações e campanhas nas ruas e nas redes sociais pedem justiça e uma investigação independente sobre o caso. As vítimas estariam trabalhando no momento da ocorrência, numa rota de coleta de leite. Eles tinham sonhos de abrir um negócio nesse mesmo segmento, em Xinguara.

Após a repercussão, a Polícia Militar informou que, por meio da Corregedoria, instaurou um procedimento administrativo para apurar a ocorrência. Em nota, a corporação afirmou que não compactua com desvios de conduta de seus agentes e garantiu que todas as circunstâncias dos fatos serão investigadas.

A Polícia Civil informou que a Delegacia de Eldorado do Carajás conduz a investigação, mas o procedimento será transferido para a Delegacia de Homicídios de Parauapebas, que dará continuidade às apurações. A expectativa da família é que as investigações esclareçam as circunstâncias das mortes e apontem se houve excesso ou falhas na atuação policial durante a ocorrência.

Caso a investigação conclua que houve abuso de autoridade, uso indevido da força ou qualquer outra irregularidade na atuação dos policiais, os militares poderão responder nas esferas administrativa e criminal. Entre as possíveis consequências estão sanções disciplinares, como advertência, suspensão e até exclusão da corporação, além de eventual responsabilização perante a Justiça, caso sejam identificados indícios da prática de crimes.

O Fato Regional só trabalha com informações oficiais — repassadas por policiais e autoridades públicas ou que constem em boletins e registros oficiais de ocorrência —, respeitando o princípio da presunção de inocência. O espaço para a defesa de qualquer pessoa citada em casos policiais, se os advogados ou envolvidos acharem conveniente manifestar-se, sempre será garantido, com amplo direito ao contraditório.


(Da Redação do Fato Regional)

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