O mercado do cacau brasileiro mantém o fôlego para recuperar a relevância global, após o impacto das importações de frutos da África. No Pará, o cenário ainda é de instabilidade. No começo deste mês de agosto, o estado superou média de R$ 18 por quilo, após um breve período de recuperação em julho.
Tucumã, no Sul do Pará, que já teve o cacau mais valorizado do país e acima da cotação nacional, está comercializando o quilo por R$ 18, pela cotação da Coopertuc desta terça-feira, 4 de agosto. Em São Félix do Xingu, a Camppax apresentou recuo para R$ 14/kg. A expectativa é de que a lei sobre percentuais mínimos de cacau para chocolates possa aumentar a demanda e recompor o valor do fruto.
Pelas informações do Mercado do Cacau, a cotação da arroba da Bahia (15 kg) ficou em R$ 355,44 e a saca do Espírito Santo (60 kg) marcou R$ 1.421,77. Os dois estados apresentaram mais um aumento de preço significativo. O Pará responde por mais de 51% da produção nacional, com mais de 34 mil produtores, segundo a Sedap, além de ser o estado pioneiro na implantação de um sistema estadual de rastreabilidade do cacau, garantindo ao mercado internacional frutos de qualidade e origem livre de desmatamento ilegal e trabalho em condições desumanas.

O Fato Regional segue lembrando que, há quase cinco meses, o Governo Federal, através do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), garantiu aos produtores de cacau de todo o Brasil que seriam adotadas medidas para recomposição de preços e valorização do mercado. Entre as medidas estavam a suspensão de importações da Costa do Marfim, fim do regime de “drawback” para importações, abertura de novos mercados e revisão de dados e estimativas de safra e estoque. Por ora, produtores continuam observando e esperando melhorias significativas.
O cacau é uma commodity e o preço é influenciado por variações no mercado internacional. Até 2025, o preço do quilo do cacau do Pará chegou ao pico de R$ 65. E após mais de dois meses do pós-crise, finalmente superou a faixa de R$ 15. Produtores reforçam a alta qualidade do fruto paraense, que é premiado e reconhecido internacionalmente. No entanto, todo o Brasil ainda sofre com os reflexos do estoque elevado formado após a importação dos frutos africanos.

(Da Redação do Fato Regional)
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