Uma pesquisa desenvolvida pela empresa de biotecnologia BIOINFOOD, com participação da Rede Terra do Meio do Alto Xingu, no Pará, conseguiu transformar a farinha do mesocarpo de babaçu, um subproduto até então pouco aproveitado, em um ingrediente proteico com potencial de uso pela indústria de alimentos plant-based.
O projeto, realizado em parceria com o Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL), elevou o teor de proteína da farinha de babaçu de 1,5% para cerca de 7% por meio de um processo de fermentação com leveduras. O resultado é um ingrediente com textura e sabor adequados para a produção de hambúrgueres vegetais e outros alimentos à base de plantas.
A Rede Terra do Meio do Alto Xingu, formada por 35 organizações de povos indígenas, ribeirinhos e agricultores familiares, participou do estudo fornecendo amostras e recebendo pesquisadores em visitas às comunidades. A iniciativa recebeu R$ 2,7 milhões do Fundo JBS pela Amazônia, por meio do Programa Biomas InovAmazônia do GFI Brasil.
O babaçu é explorado principalmente nos estados do Maranhão, Piauí, Pará e Tocantins, sendo fonte de renda para cerca de 62 mil pessoas, especialmente as quebradeiras de coco. Enquanto o óleo extraído da amêndoa possui valor comercial consolidado, a farinha do mesocarpo era, até agora, praticamente descartada.
Segundo os pesquisadores, a tecnologia pode contribuir para ampliar a renda das comunidades extrativistas, estimular o uso sustentável da floresta e reduzir a dependência de proteínas de maior impacto ambiental. A BIOINFOOD busca agora parceiros para expandir a produção em escala industrial.
Além do babaçu, a mesma plataforma poderá ser aplicada futuramente a outros resíduos agroindustriais e produtos da biodiversidade brasileira, como castanha-do-Brasil, cupuaçu e macaúba.

(Da Redação do Fato Regional)
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