Após o protesto de cerca de 30 horas de interdição da PA-279, feito pelo acampamento “Unidos Pela Fé”, em Ourilândia, a Vale e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) se manifestaram. E os posicionamentos oficiais, solicitados pelo Fato Regional, contestam a versão apresentada pelo movimento, que representa mais de 400 famílias que residem na área de entorno da Mineração Onça Puma.
Por nota, a Vale comunicou que “…a liminar deferida pela justiça reconhece os direitos possessórios da Mineração Onça Puma sobre terras destinadas à atividade minerária, cujos ocupantes irregulares foram intimados a sair voluntariamente da área. A companhia reforça que temas relacionados à reforma agrária são de competência exclusiva do Incra”.
Já o Incra enviou uma nota mais curta, mas que deixa pouca margem para interpretações: “Acerca da situação, as famílias foram atendidas e informadas, em mais de uma oportunidade, sobre a situação fundiária da área”.

Os representantes do acampamento, desde fevereiro, vêm alegando estar numa área pública, que apenas fica perto da Mineração Onça Puma, na zona rural de Ourilândia. E após seis meses de ocupação, viram a chegada de um grupo de sem-terras ligado ao MST. Apesar de parecer confuso, nem todo sem-terras é ligado ao MST. O acampamento “Unidos Pela Fé” foi ligado a uma federação, mas atualmente é representado por uma associação própria.
O grupo ligado ao MST seria de Canaã dos Carajás e estaria numa área sobreposta ao acampamento “Unidos Pela Fé”. No entanto, a decisão judicial (processo nº 0800559-89.2026.8.14.0116) menciona diretamente o acampamento “Unidos Pela Fé”, cujos representantes afirmam sempre ter tido bom relacionamento com a Mineração Onça Puma e que seguiam todas as orientações do processo de regularização junto ao Incra.
Para o movimento “Unidos Pela Fé”, a situação vai ser esclarecida judicialmente. O representante legal do acampamento está atuando junto com a Defensoria Pública do Estado do Pará. A decisão judicial que motivou o protesto do acampamento dava 10 dias para que as mais de 400 famílias deixassem a área onde estão atualmente.

(Da Redação do Fato Regional)
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