Vale e Incra se manifestam após protesto do acampamento ‘Unidos Pela Fé’, que travou a PA-279, em Ourilândia, por cerca de 30 horas

A mineradora defendeu a decisão judicial que determinou a saída das mais de 400 famílias do acampamento 'Unidos Pela Fé', na zona rural de Ourilândia, na área de entorno da Mineração Onça Puma / Vale. O Incra diz já ter explicado a situação fundiária na região ao movimento mais de uma vez.
A área do acampamento Unidos Pela Fé, que no passado foi conhecido como PA Campos Altos / Capitão do Campo, uma área supostamente pública, no entorno da Mineração Onça Puma, onde residem 450 famílias buscando regularização junto ao Incra (Foto: Imagem enviada ao WhatsApp do Fato Regional)

Após o protesto de cerca de 30 horas de interdição da PA-279, feito pelo acampamento “Unidos Pela Fé”, em Ourilândia, a Vale e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) se manifestaram. E os posicionamentos oficiais, solicitados pelo Fato Regional, contestam a versão apresentada pelo movimento, que representa mais de 400 famílias que residem na área de entorno da Mineração Onça Puma.

Por nota, a Vale comunicou que “…a liminar deferida pela justiça reconhece os direitos possessórios da Mineração Onça Puma sobre terras destinadas à atividade minerária, cujos ocupantes irregulares foram intimados a sair voluntariamente da área. A companhia reforça que temas relacionados à reforma agrária são de competência exclusiva do Incra”.

Já o Incra enviou uma nota mais curta, mas que deixa pouca margem para interpretações: “Acerca da situação, as famílias foram atendidas e informadas, em mais de uma oportunidade, sobre a situação fundiária da área”.

A mancha em verde claro mostra onde fica, no mapa oficial, o acampamento Unidos Pela Fé, uma área pública, com delimitação oficial e portaria de reconhecimento, fora das áreas da Vale Metais Básicos de Ourilândia (Foto: Imagem enviada ao WhatsApp do Fato Regional)

Os representantes do acampamento, desde fevereiro, vêm alegando estar numa área pública, que apenas fica perto da Mineração Onça Puma, na zona rural de Ourilândia. E após seis meses de ocupação, viram a chegada de um grupo de sem-terras ligado ao MST. Apesar de parecer confuso, nem todo sem-terras é ligado ao MST. O acampamento “Unidos Pela Fé” foi ligado a uma federação, mas atualmente é representado por uma associação própria.

O grupo ligado ao MST seria de Canaã dos Carajás e estaria numa área sobreposta ao acampamento “Unidos Pela Fé”. No entanto, a decisão judicial (processo nº 0800559-89.2026.8.14.0116) menciona diretamente o acampamento “Unidos Pela Fé”, cujos representantes afirmam sempre ter tido bom relacionamento com a Mineração Onça Puma e que seguiam todas as orientações do processo de regularização junto ao Incra.

Para o movimento “Unidos Pela Fé”, a situação vai ser esclarecida judicialmente. O representante legal do acampamento está atuando junto com a Defensoria Pública do Estado do Pará. A decisão judicial que motivou o protesto do acampamento dava 10 dias para que as mais de 400 famílias deixassem a área onde estão atualmente.


(Da Redação do Fato Regional)

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