Moradores do acampamento “Unidos Pela Fé”, na zona rural de Ourilândia, no Sul do Pará, interditaram a rodovia PA-279 neste domingo (21). O protesto é motivado pela notificação judicial de que mais de 400 famílias têm 10 dias para deixar a área. A manifestação continuou nesta segunda-feira (22), somando 24 horas, e provocando longas filas de veículos na região do Caiteté. Policiais militares negociaram o fim do ato de forma pacífica, enquanto os manifestantes seguem exigindo contato com representantes da Vale e do Incra. A saída dos manifestantes, às 11h20, se deu após a Defensoria Pública do Estado do Pará aceitar representar o grupo judicialmente.
Veja imagens da manifestação e das longas filas de veículos no Instagram do Fato Regional (@fatoregional):
Cláudio Melo, mais conhecido como “Ratão” e porta-voz do movimento, reforça que há seis meses as mais de 400 famílias do acampamento “Unidos Pela Fé” vinham seguindo todos os procedimentos para assentamento. Eles ocupam uma área supostamente pública, na região do antigo PA Campos Altos / Loteamento Capitão do Campo, no entorno da Mineração Onça Puma. Os moradores do acampamento garantem sempre ter tido um bom relacionamento com a Vale por estarem fora do território da empresa.
Veja a entrevista de Cláudio Melo ao Fato Regional (@fatoregional):
A manifestação, explica Cláudio, se deu porque os moradores do acampamento “Unidos Pela Fé” foram surpreendidos com a notificação judicial de reintegração de posse pela Mineração Onça Puma (processo nº 0800559-89.2026.8.14.0116), dando 10 dias para que eles deixassem a área. Segundo ele, isso contraria os acordos feitos com a Vale e com o Incra. Possivelmente, eles estariam sendo notificados a sair para dar espaço a um grupo do MST de Canaã dos Carajás.

O “Unidos Pela Fé” é ligado a uma outra entidade de trabalhadores rurais, a Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar no Estado do Pará (Fetraf Pará). O MST é outro grupo e muita gente faz confusão. Nem toda pessoa sem-terras é necessariamente do MST. Desde fevereiro deste ano, esse segundo grupo chegou ao local do antigo PA Campos Altos, onde o outro acampamento já estava, e se iniciou uma disputa pelos limites de cada área.

Cláudio Melo reforça que o movimento quer explicações do Poder Judiciário, da Vale e do Incra sobre por que todos os procedimentos feitos anteriormente pelo acampamento “Unidos Pela Fé” não validaram a presença prévia das 400 famílias na área, sendo que, como alegam os manifestantes, o Incra e outras instituições públicas já participaram de atividades na área com orientações sobre o processo de assentamento em área pública. O protesto segue e o Fato Regional aguarda posicionamento dos citados pelo movimento.


(Da Redação do Fato Regional)
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