Votação online define ‘Xingu’ como nome do filhote de onça nascido no BioParque Amazônia Vale, em Parauapebas

Mais de 28 mil votos foram registrados pela internet, com opções de nomes inspirados na cultura indígena e que dão nome a rios da Amazônia. O filhote de onça Xingu, filho de Marília e Zezé, agora tem um nome que homenageia um dos rios mais importantes para o eixo centro-sul do Pará
A oncinha-pintada macho ganhou o nome de Xingu, homenageando um dos rios mais importantes do Sul do Pará (Foto: Andrei Santos / BioParque Vale Amazônia)

O novo filhote de onça nascido no BioParque Vale Amazônia, em Parauapebas, já tem nome: Xingu. A escolha foi revelada durante a programação que celebrou os 41 anos do parque, localizado na Serra dos Carajás. A escolha foi feita por votação online, que recebeu mais de 28 mil votos. Os nomes disponíveis tinham origem indígena e faziam referência a importantes rios da Amazônia. O nome Xingu teve mais de 56% dos votos. Em seguida aparecem Solimões, com 7.832 votos (27,7%) e Tapajós, com 4.642 votos (16,3%).

Xingu é uma onça-pintada macho, com genética do Cerrado, nascida a partir de um programa de reprodução conduzido pela equipe técnica do parque. O nascimento é considerado um marco para a conservação da espécie, atualmente ameaçada de extinção. A gestação da onça-pintada dura entre três e quatro meses e, em geral, resulta no nascimento de até dois filhotes. Nos últimos doze anos, o BioParque Vale Amazônia contabiliza sete registros de nascimento.

Em 2014, vieram ao mundo Thor e Pandora (genética amazônica); dois anos depois nasceram as irmãs Sheila e Leila (onças-pintadas melânicas de genética amazônica); e em 2022, o parque celebrou o nascimento de um casal de filhotes Rhudá e Rhuana (genética do cerrado). Agora, a chegada do filhote de onça macho do casal Marília e Zezé, de genética do cerrado, já integrados ao plantel do BioParque, reforça a trajetória de êxito da instituição na conservação da espécie.

Agora é só um ‘gatinho’, mas uma onça-pintada pode chegar até 1,90 metro de comprimento e 80 centímetros de altura, podendo atingir 135 quilos (Foto: Divulgação / Vale)

A expectativa é que o filhote deixe a área interna do BioParque, onde recebe cuidados especiais por ser recém-nascido, e possa ser apresentada ao recinto ainda neste primeiro semestre. Ao atingir a fase adulta, a onça-pintada, que é o maior felino das Américas, pode chegar até 1,90 metro de comprimento e 80 centímetros de altura, podendo atingir 135 quilos. É o maior felino das Américas. Nos últimos anos, o parque também foi pioneiro no Brasil ao reproduzir uma harpia em exibição e contribuiu com o Programa de Reintrodução das Ararajubas em Belém.

“O nascimento de um animal ameaçado de extinção reforça a importância de projetos de conservação da biodiversidade. No BioParque Vale Amazônia, o trabalho contínuo para garantir bem-estar físico e comportamental cria condições adequadas para a reprodução destas espécies. E é motivo de orgulho ver que esse esforço responsável tem gerado resultados concretos para a conservação da fauna brasileira”, afirma Nereston de Camargo, veterinário do BioParque Vale Amazônia.

Os pais da oncinha Xingu chegaram ao BioParque vindos de Goiás. Sua mãe Marília foi resgatada de cativeiro ilegal e seu pai Zezé nasceu em instituição em Goiás, filho de pais resgatados assim como Marília de cativeiro ilegal de animais silvestres. Por terem sido retirados do habitat natural e mantidos sob influência humana, eles não podem ser reintroduzidos na natureza — situação comum em casos de apreensão, quando o animal perde habilidades essenciais para sobreviver em vida livre. Hoje, sob cuidados permanentes, o casal integra o plantel e ajuda a reforçar, junto ao público, a importância do combate ao tráfico e da preservação da fauna.

BioParque Vale Amazônia é referência em conservação

Ao longo de 41 anos de história, o BioParque Vale Amazônia consolidou-se como um dos principais centros de pesquisa, conservação e educação sobre a fauna silvestre no Brasil. O espaço já registrou nascimentos de diversas espécies ameaçadas de extinção, como Ararajuba, Arara-Azul, Jacupiranga, Mutum-de-Penacho, Gavião-Real, Onça-Pintada (pelagem amarela e melânica), Onça-Parda, Queixada, Caititu, Guariba-de mãos-ruivas e Anta.

O novo filho de onça-pintada do BioParque Vale Amazônia, em Parauapebas, é filho do casal Marília e Zezé. Não ganhou o nome de João Gomes, mas foi batizado como Xingu, em homenagem a um dos rios mais importantes do Sul, Sudeste e Sudoeste do Pará (Foto: Divulgação / Vale)

Nos últimos anos, o parque também foi pioneiro no Brasil ao reproduzir uma harpia em exibição e contribuiu com o Programa de Reintrodução das Ararajubas em Belém. Atualmente, o BioParque abriga cerca de 360 animais de 67 espécies da fauna silvestre, entre aves, mamíferos e répteis, incluindo espécies raras ou ameaçadas de extinção. O espaço é parceiro de instituições governamentais como ICMBio e IBAMA, recebendo animais oriundos de apreensões contra o tráfico de fauna silvestre. Conta ainda com uma equipe especializada formada por biólogos, veterinários, botânicos e analistas ambientais.

O BioParque faz parte da Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil (AZAB) e atua com os Planos Nacionais de Conservação de Espécies Ameaçadas (ICMBio), além de seguir metas nacionais e internacionais voltadas à preservação da biodiversidade. O cuidado diário também é destaque: uma equipe de tratadores se dedica à limpeza dos recintos e ao preparo da alimentação dos animais. Por mês, cerca de uma tonelada de alimentos é preparada conforme a dieta especial de cada espécie, incluindo frutas, carnes, peixes, ração e amêndoas.


(Da Redação do Fato Regional)

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