quarta-feira, 24 de abril de 2024

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Instituto Tecnológico Vale e Unifesspa descobrem bactéria em Paragominas que pode combater herpes e câncer de mama

Os cientistas do Instituto Tecnológico Vale – Desenvolvimento Sustentável (ITV-DS), da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) e de instituições parcerias estão produzindo um composto químico experimental a partir da bactéria amazônica que apresentou resultados animadores pelas propriedades viricidas, bactericidas e capaz de eliminar células cancerosas sem sequelas
A bactéria encontrada no solo de Paragominas pode ter as propriedades viricidas, bactericidas e anticancerígenas estudadas devido a estratégias de sobrevivência do micro-organismo em solos contaminados (Foto: Miguel Aun / Vale)

Uma bactéria amazônica (Pseudomonas aeruginosa), encontrada no solo de Paragominas, no sudeste do Pará, é o objeto de uma pesquisa que pode apontar um caminho no combate a vírus, bactérias e a células cancerosas de tumores mamários. O estudo está sendo conduzido por cientistas do Instituto Tecnológico Vale – Desenvolvimento Sustentável (ITV-DS), da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) e de instituições parceiras.

Os cientistas estão animados com as capacidades terapêuticas do composto químico resultante dessa bactéria. O produto demonstrou propriedades viricidas, bactericidas e foi capaz de eliminar células cancerosas sem danificar células saudáveis, como apontam os estágios iniciais da pesquisa. Os resultados estão presentes num artigo científico que agora será analisado por outros cientistas. Porém, o clima na Unifesspa e no ITV-DS já é de comemoração.

“A pesquisa estudou o potencial farmacêutico de uma cepa de bactéria Pseudomonas aeruginosa. A bactéria produz um surfactante de origem microbiana ou biossurfactantes chamado de ramnolipídeo. Esse composto demonstrou resultados promissores contra microrganismos patogênicos de interesse médico e veterinário”, diz nota publicada pelo ITV-DS

O estudo avaliou a toxicidade do composto em relação a três tipos de vírus: herpes simples, coronavírus murino e vírus sincicial respiratório. Uma solução do composto, com uma concentração de 250 μg/mL, inibiu 97% da atividade viral nos três tipos de vírus citados. Resultados semelhantes foram observados com uma solução de 50 μg/mL, por 15, 30 e 60 minutos, sugerindo que a eficácia viricida está relacionada ao tempo de exposição do vírus ao biossurfactante.

Um outro teste mostrou que o ramnolipídeo (biossurfactante), na concentração de 12,5 µg/mL, apresentou potencial seletividade na redução da proliferação de células tumorais de mama, após um minuto de exposição em laboratório.

Sequenciamento genômico da bactéria foi realizado pelo ITV. O instituto é referência em análises moleculares. Em cinco anos, foram produzidos 12 mil marcadores genéticos da fauna e flora da Amazônia (Foto: Miguel Aun / Vale)

Propriedades da bactéria estudada podem ser “estratégia de sobrevivência em solo contaminado”

Para José Pires Bitencourt, pesquisador do ITV-DS e um dos autores do artigo, o composto “…é uma substância que auxilia a bactéria a captar algum nutriente que seja interessante para o seu crescimento, além de auxiliar na comunicação entre bactérias da mesma espécie”. Segundo ele, durante o estudo, todas as concentrações do composto diminuíram a viabilidade das células cancerígenas para menos de 50% em 72 horas, demonstrando um potencial antitumoral comparável aos níveis alcançados pela quimioterapia padrão.

Bitencourt explica que as condições ambientais do solo amazônico são propícias para compostos de interesse farmacêutico, como o estudado pela pesquisa. “Diferentes subespécies de bactérias encontradas em várias condições de solo produzem biossurfactantes, influenciadas por fatores como clima, evolução do solo, regime hídrico, interação com outros organismos e impacto humano”, diz.

Sidnei Cerqueira dos Santos, professor da Unifesspa e um dos autores do artigo, observa que o ramanolipídeo também “…pode ser usado como estratégia de sobrevivência dessas bactérias em ambientes desfavoráveis, para reduzir ou inibir a toxicidade celular, como por exemplo solo contaminado por metais”. O composto apresenta grande potencial para o desenvolvimento de novas formulações para o controle de microrganismos, vírus e tratamento do câncer de mama.

(Da Redação do Fato Regional, com informações da Vale)


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