Jovem paraense transforma resíduo de açaí em solução global para construção e decoração e recebe bolsa internacional

Jovem de Abaetetuba, criador do projeto Unaí, foi selecionado para a bolsa WYCUP 2026 com bioeconomia focada no reaproveitamento do açaí, transformando um resíduo que vai parar nos aterros e lixões em painéis e outros elementos decorativos
Washington vai parda a Austrália apresentar o projeto Unaí que dá destinação bioeconômica para os resíduos do açaí (Foto: Ascom Sicredi)

Washington Ferreira Nascimento Filho, de 25 anos, de Abaetetuba, Nordeste do Pará, foi selecionado como um dos vencedores da bolsa internacional WYCUP 2026 (World Council of Young Credit Union Professionals), iniciativa que reconhece jovens líderes com projetos de impacto social, ambiental e econômico. Ele é idealizador do Unaí, que combina pesquisa científica, compromisso com a conservação da biodiversidade e forte vínculo com o território amazônico, transformando resíduos de açaí em soluções para construção e decoração.

Entre quase 100 projetos inscritos e validados nesta edição, apenas oito jovens de diferentes países foram escolhidos para receber a bolsa. Dois deles são brasileiros, ambos ligados ao sistema cooperativo Sicredi, sinalizando o avanço de iniciativas nacionais conectadas à inovação, sustentabilidade e inclusão. Washington vai participar World Credit Union Conference (WCUC) 2026, que será realizada em julho, em Sydney, na Austrália. Ele é membro do Comitê Jovem da cooperativa Sicredi Sudoeste, programa voltado à formação de jovens protagonistas e lideranças.

Resultado de mais de uma década de estudos e experimentações conduzidas pelo jovem pesquisador, o projeto transforma caroços de açaí, resíduo abundante e frequentemente descartado de forma inadequada na região, em biopainéis e outros produtos sustentáveis, impulsionando a economia circular e a geração de renda local, sem comprometer os ecossistemas da floresta. O projeto Unaí surgiu da identificação de um gargalo ambiental recorrente na cadeia produtiva do açaí.

Algumas das possíveis peças com o processo idealizado no projeto Unaí de reaproveitamento de resíduos de açaí (Foto: Ascom Sicredi)

Por meio de pesquisa aplicada, testes e parcerias, a iniciativa busca dar novo destino a esse resíduo, convertendo um passivo ambiental em insumo produtivo e conectando preservação ambiental com viabilidade econômica. A relevância da proposta se amplia diante dos dados da cadeia produtiva do açaí levantados pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Estudos da instituição indicam que apenas 15% a 20% do fruto são aproveitados como alimento, enquanto cerca de 80% de sua massa correspondem ao caroço, que se transforma em resíduo sólido. Desse volume, mais de 50% ainda têm destinação inadequada, gerando impactos ambientais e urbanos em municípios da região amazônica.

“Recebi a notícia com muita emoção e gratidão. É o reconhecimento de uma trajetória construída com esforço, propósito e compromisso com o desenvolvimento coletivo. Vejo essa seleção como o reconhecimento do potencial da juventude amazônica e do impacto que podemos gerar quando temos oportunidades. Essa conquista mostra que jovens brasileiros, mesmo vindos de contextos desafiadores, podem ocupar espaços globais e contribuir com soluções relevantes. Quero levar a voz da minha comunidade e mostrar a força da Amazônia”, destaca Washington.


(Da Redação do Fato Regional)

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