quarta-feira, 24 de abril de 2024

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Suspeitos de serem mandantes do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes são presos pela PF no Rio de Janeiro

Os suspeitos são o conselheiro do TCE-RJ Domingos Brazão, o deputado federal Chiquinho Brazão (União Brasil - RJ) e o delegado Rivaldo Barbosa, da Polícia Civil do Rio de Janeiro. A motivação, supostamente, seria a expansão do território das milícias do Rio de Janeiro. A operação 'Muder Inc.' foi deflagrada na madrugada deste domingo (24).
Marielle Franco foi morta em março de 2018, junto com o motorista que trabalhava com ela, Anderson Gomes. Uma assessora conseguiu escapar com vida do ataque (Foto: Secom / Governo Federal)

A Polícia Federal prendeu, na madrugada deste domingo (24), três suspeitos de serem os mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista dela, Anderson Gomes. Os alvos da operação “Muder Inc.” são: Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro; o deputado federal Chiquinho Brazão (União Brasil – RJ); e o delegado de Polícia Civil Rivaldo Barbosa. A operação ainda cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços de outros suspeitos.

Chiquinho Brazão, Domingos Brazão e Rivaldo Barbosa, presos pela PF neste domingo (Foto: Reprodução / G1)

Numa rara operação de grande porte num domingo (24), a PF preferiu pegar os suspeitos de surpresa para evitar que pudessem fugir ou ocultar provas. Todos estariam em alerta devido às investigações que se aproximavam deles e devido à homologação do acordo de delação premiada do ex-policial militar Ronnie Lessa, preso desde 2019 por ser o executor do crime. Na delação, homologada pelo Supremo Tribunal Federal na semana passada, Lessa confessou o crime, algo que até então não havia feito.

Na operação, ainda estão sendo cumpridos 12 mandados de busca e apreensão em endereços ligados a outros suspeitos ou investigados por participação direta ou indireta nos assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes, há mais de 2.200 dias atrás. Um deles é Giniton Lages, um outro delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro — que chefiou a Divisão de Homicídios —, que já foi afastado por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF. Giniton escreveu um livro sobre a investigação do caso Marielle.

Quem são e o que fazem os suspeitos de serem mandantes da morte de Marielle Franco?

Pelas investigações, que seguem para comprovar a definitiva motivação do crime, a atuação de Marielle Franco como parlamentar em prol dos direitos à moradia era um obstáculo na expansão do território das milícias do Rio de Janeiro. O delegado Rivaldo Barbosa assumiu a chefia da Polícia Civil do Rio de Janeirona véspera do assassinato da parlamentar. Ele seria uma das pessoas que, supostamente, estariam agindo para obstruir a investigação. Por isso, havia resistência durante o mandato dele de que a PF assumisse a investigação.

A investigação só foi federalizada após o início do Governo Lula (PT) e em pouco mais de um ano, vários avanços foram feitos que, historicamente, a PC do Rio de Janeiro não estava conseguindo fazer. Agora o motivo dos atrasos pode ter sido explicado. Rivaldo teria assegurado a Lessa e combinado com Chiquinho Brazão e Domingos Brazão que o crime ficaria impune. Rivaldo era indicação política do general Braga Netto, vice da chapa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nas eleições de 2022. O delegado, à época do começo da investigação, disse que o crime era “um atentado contra a democracia extremamente grave”.

Os irmãos Brazão são políticos conhecidos do Rio de Janeiro desde os anos 1990. O reduto eleitoral deles sempre foi em áreas que são territórios de milícias. Nas eleições de 2018 e 2022, eles apoiaram Bolsonaro. Historicamente, pertencem ao fisiologismo de partidos do “Centrão”, que votam com determinados governos e apoiam determinadas ideologias que os convêm no momento político do país. Nas eleições de 2014, fizeram campanha por Dilma Roussef (PT). Diferente do que tentam associar em conteúdos de desinformação, eles não são de esquerda e nem necessariamente são de direita.

Em 2006, Brazão e Flávio Bolsonaro — filho do ex-presidente e então deputado federal do Rio de Janeiro — foram os únicos contrários à instalação da CPI das Milícias, que foi presidida pelo deputado Marcelo Freixo (ex-PSOL e atual PT), um dos mentores políticos e amigo pessoal de Marielle Franco. O Ministério Público do Rio de Janeiro analisa que o dinheiro que financiou construções de imóveis na área das milícias cariocas teria sido proveniente do caso das “rachadinhas” do gabinete de Flávio Bolsonaro, atual senador pelo PL, como mostra reportagem do The Intercept Brasil. As investigações seguem e o parlamentar não é indiciado formalmente por nenhum crime.

(Victor Furtado, da Redação do Fato Regional, com informações do G1 The Intercept Brasil)


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