A população de jumentos no Brasil pode desaparecer até 2030 caso o ritmo atual de abates seja mantido. O alerta foi feito por cientistas, veterinários e ativistas ambientais durante audiência pública realizada nesta quinta-feira (14), na Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados.
Segundo os especialistas, o número de animais caiu 94% desde o fim da década de 1990. O rebanho, que já chegou a 1,3 milhão de jumentos, soma atualmente cerca de 78 mil animais no país.
A principal causa da redução é a exportação das peles para a China, onde o colágeno extraído é utilizado na fabricação do ejiao, medicamento da medicina tradicional chinesa. O mercado do produto movimentou cerca de US$ 7,2 bilhões em 2022.
De acordo com os participantes da audiência, o comércio é abastecido principalmente por capturas ilegais de animais no Nordeste. Os jumentos são levados para fazendas sem controle sanitário ou rastreabilidade antes de serem encaminhados para frigoríficos na Bahia.

Além do impacto ambiental, especialistas alertam para riscos à saúde pública. Animais destinados ao abate apresentaram casos de mormo, doença grave transmissível aos humanos, e anemia infecciosa equina.
“Eles não têm nenhum histórico de saúde porque são de origem ilegal”, afirmou José Roberto Lima, integrante da Comissão de Medicina Veterinária Legal da Bahia.
A bióloga Patrícia Tatemoto, representante da instituição The Donkey Sanctuary, apontou que os jumentos exercem papel importante na preservação da Caatinga. Segundo ela, os animais auxiliam no controle de espécies invasoras, contribuem para a dispersão de sementes e conseguem localizar água, beneficiando outras espécies do bioma.
Durante o debate, o deputado federal Célio Studart (PSD-CE) defendeu a aprovação do Projeto de Lei 2387/22, que proíbe o abate de jumentos para fins comerciais no Brasil. A proposta já passou pelas comissões de Agricultura e Meio Ambiente, mas aguarda votação final na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
“Nesse intervalo, quase 250 mil jumentos morreram”, declarou o parlamentar.

Os especialistas também citaram como exemplo a decisão da União Africana, que proibiu em 2024 o abate de jumentos nos 55 países do continente, com o objetivo de preservar a espécie e proteger comunidades rurais que dependem dos animais na agricultura familiar.

(Da Redação do Fato Regional)
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