O “Maio Laranja”, campanha nacional de combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes, tem dado projeção nacional à atuação da ex-delegada da Polícia Federal e auditora do Tribunal de Contas do Estado do Pará Erika Sabino. Depois de ter um vídeo compartilhado pela apresentadora Xuxa Meneghel, foi a vez da atriz e apresentadora Luana Piovani, ativista pelos direitos de mulheres e crianças, repostar um conteúdo publicado por Erika sobre um caso de exploração sexual infantil ocorrido no Pará.
O vídeo compartilhado por Luana trata da decisão da Justiça que manteve a prisão de pessoas acusadas de “vender” a própria filha para um empresário que abusava sexualmente de uma adolescente no município de Santo Antônio do Tauá, no nordeste paraense. Um caso semelhante ocorreu em São Félix do Xingu, nas últimas semanas.
No conteúdo, Erika faz um alerta contundente sobre a forma como a sociedade encara esse tipo de crime. “Não existe prostituição infantil. Não existe criança fazendo programa. O que existe é estupro de vulnerável”, afirma ela no vídeo.
Ela também explica que, nos casos envolvendo adolescentes entre 14 e 17 anos, ainda que haja aparente consentimento, o recebimento de dinheiro, favores ou qualquer tipo de vantagem configura exploração sexual, que também é crime previsto na legislação brasileira. “Se um adolescente entre 14 e 17 anos consentiu, mas recebeu algo em troca, isso é exploração sexual. E exploração sexual também é crime”, reforça.
Veja o conteúdo de Erika Sabino que foi compartilhado por Luana Piovani
Com experiência no combate à pedofilia e aos crimes sexuais contra crianças e adolescentes, Erika chefiou o Grupo Especial de Combate aos Crimes Cibernéticos praticados contra Crianças e Adolescentes da Superintendência Regional da Polícia Federal no Distrito Federal e atuou como vice-coordenadora nacional da Coordenação de Crimes Praticados Contra Crianças e Adolescentes.
A repercussão dos vídeos ocorre em um momento delicado para o Pará. Apenas neste mês de maio, dois casos graves envolvendo exploração e violência sexual contra menores ganharam destaque público no estado. Dados nacionais apontam que o Pará segue ocupando a segunda posição entre os estados brasileiros com maior número de crianças e adolescentes vítimas de exploração sexual.
Para Erika Sabino, enfrentar essa realidade exige romper o silêncio e abandonar a cultura da indiferença. “A gente precisa mudar essa realidade. E a gente só muda quando passa a olhar. Nenhuma criança ou adolescente vende o próprio corpo porque quer. Isso também é problema seu. Se importe. Denuncie”, alerta Erika.
Ao ganhar visibilidade por meio de figuras públicas de alcance nacional, como Xuxa e Luana Piovani, a mensagem defendida por Erika ultrapassa as redes sociais e amplia um debate urgente sobre proteção da infância, responsabilização dos criminosos e fortalecimento da rede de apoio às vítimas.

Campanha nacional reforça combate ao abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes
O “Maio Laranja” tem como marco o dia 18 de maio, o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, criado em memória de Araceli Crespo, menina de apenas 8 anos assassinada em 1973, em Vitória (ES), em um crime brutal que chocou o país. O caso se tornou símbolo da luta pelos direitos das crianças e adolescentes no Brasil e da necessidade de romper o silêncio diante da violência sexual infantojuvenil.
A data marca, mas o “Maio Laranja” convoca o país durante todo esse para mobilizar a sociedade em defesa da infância e no enfrentamento a crimes que ainda seguem, muitas vezes, invisíveis dentro das próprias famílias e comunidades.

(Da Redação do Fato Regional)
Siga o Fato Regional no Facebook, no Instagram e no nosso canal no WhatsApp!












