O cacau virou protagonista na bioeconomia amazônica no Pará. Um estudo preliminar, divulgado nesta quarta-feira (27) pela Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), mostrou que a cadeia produtiva do fruto já movimenta cerca de R$ 1,7 bilhão por ano no Estado, dentro de um setor que já soma R$ 13,5 bilhões anuais em Valor Bruto da Produção (VBP).
O levantamento apontou o peso de produtos ligados à sociobiodiversidade amazônica, como mandioca, açaí, pescado e castanha-do-pará, mas o cacau aparece entre as cadeias estratégicas para geração de renda e fortalecimento da economia regional.

Sul do Pará concentra grandes produtores
No Sul do Pará, a cultura do cacau tem papel central na economia rural, principalmente na região Araguaia, onde municípios como Tucumã e São Félix do Xingu estão entre os maiores produtores da região e ajudam a consolidar o Estado como líder nacional da produção cacaueira.
Além da geração de renda no campo, a cadeia do cacau também movimenta comércio, transporte e pequenos negócios ligados à produção agrícola.
Bioeconomia movimenta bilhões e gera empregos
Segundo o relatório, a bioeconomia ligada à sociobiodiversidade ocupa mais de 271 mil pessoas no Pará e gerou R$ 1,4 bilhão em massa salarial. Os pesquisadores destacaram ainda que cada real investido no setor gera um impacto direto na economia estadual, que movimenta desde a produção rural até a comercialização dos produtos.
Embora a mandioca lidere a movimentação econômica, com cerca de R$ 6,5 bilhões anuais, seguida pela pesca e aquicultura, com R$ 2,7 bilhões, o estudo evidenciou o cacau como uma das cadeias com maior potencial de fortalecimento sustentável e agregação de valor dentro da bioeconomia amazônica.

Desafios ainda limitam crescimento do setor
O relatório também alertou para desafios estruturais, como informalidade, baixa industrialização dentro do Pará e desigualdade na distribuição da renda entre produtores e etapas industriais. Outro ponto de preocupação envolve os impactos das mudanças climáticas, que já afetam culturas importantes em municípios paraenses com registros de perdas provocadas por secas e queimadas.
A pesquisa foi desenvolvida em parceria com a Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) e Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), utilizando metodologias da ONU e do IBGE para mapear o impacto econômico da sociobiodiversidade paraense.

(Da Redação do Fato Regional)
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