sábado, 15 de junho de 2024

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Horizonte Minerals anuncia que não tem como concluir projeto de níquel em Conceição do Araguaia

No comunicado oficial no site do Reino Unido — mas que ainda não consta no site oficial do Brasil da companhia —, a Horizonte Minerals diz que vai buscar soluções dentro da legislação brasileira para lidar com a paralisação definitiva do projeto e que não tem como garantir a recuperação de valores de acionistas
O projeto Araguaia Níquel, em Conceição do Araguaia, foi paralisado com cerca de 60% das obras dos fornos concluídas (Foto: Horizonte Minerals)

Após quase 5 meses de paralisação do Projeto Araguaia Níquel, a Horizonte Minerals comunicou que não encontrou formas de reestruturar as dívidas do empreendimento em Conceição do Araguaia, no Sul do Pará. Com isso, o projeto será paralisado definitivamente. A mineradora informou que vai buscar soluções dentro da legislação brasileira para liquidar as dívidas e considera a venda da operação. No entanto, não garante a recuperação de valores dos acionistas.

O comunicado foi publicado apenas em inglês, no site da empresa no Reino Unido, no dia 15 de abril. Até esta sexta-feira (19), como informou a assessoria de comunicação local da Horizonte Minerals, ainda não havia tradução oficial do posicionamento. As operações em Conceição do Araguaia atraíram diversas pessoas para o município em busca de emprego e deram início a vários convênios como condicionantes para a operação na cidade.

“A Horizonte Minerals anuncia que, após um período de discussões para reestruturar a dívida do grupo em conjunto com a busca de uma solução totalmente financiada para seu Projeto Araguaia Níquel, e envolvendo ativamente investidores existentes e novos potenciais, a empresa não conseguiu garantir interesse no financiamento total necessário para concluir o projeto ou em um grupo que adquirisse o projeto. Na ausência de uma solução de financiamento, a Horizonte deve agora considerar opções alternativas para suas subsidiárias no interesse dos seus credores garantidos, que podem incluir a obtenção de financiamento a nível da subsidiária, a venda do projeto enquanto estiver em cuidados e manutenção, a liquidação dos ativos do projeto, ou outras opções disponíveis sob as leis brasileiras. A empresa não acredita, entretanto, que qualquer uma dessas opções possa recuperar qualquer valor para os acionistas da companhia”, diz o comunicado da mineradora.

A paralisação começou em novembro de 2023 e foi alvo de desinformação envolvendo o governo Lula — desmentido pela própria empresa — e a Horizonte Minerals, procurada à época pelo Fato Regional, não chegou a explicar qual seria o destino dos cerca de 3 mil funcionários envolvidos no projeto Araguaia Níquel. Naquele período, a empresa tentava acalmar ânimos e não falar em demissões. No entanto, os trabalhadores já diziam que havia desmonte de estruturas e demissões ocorrendo.

Até o dia 10 de novembro, o projeto Araguaia Níquel tinha recursos totais de liquidez de US$ 169 milhões. Desses, US$ 131 milhões não sacados da linha de dívida sênior da empresa, que demandava nova injeção de capital para acessar. Em caixa, havia US$ 38 milhões em capital de giro que seriam suficientes até meados de dezembro. Em 10 de abril de 2024, aponta o comunicado, a companhia possuía saldo de caixa de US$ 16,2 milhões (excluindo caixa que está segregado para o desenvolvimento do Projeto Vermelho).

“Desde o final de novembro de 2023, a nova equipe de gestão estabilizou o negócio e realizou uma auditoria abrangente do custo de conclusão e do plano de negócios para avaliar criticamente a viabilidade atual do Projeto. Os resultados da auditoria demonstraram os fundamentos do projeto Araguaia como um ativo robusto de custo operacional do primeiro quartil, mas também destacaram um aumento significativo do custo para conclusão em comparação com estimativas anteriores. Após um extenso envolvimento e roadshow global, onde mais de 150 partes, incluindo mais de 39 que celebraram acordos de confidencialidade, foram abordadas tanto em dívida como em capital, mas a empresa não conseguiu garantir o financiamento total necessário para concluir o projeto neste momento. A maioria dos investidores que realizaram due diligence detalhada no projeto, após assinarem NDAs, citaram o ambiente desfavorável do mercado de níquel como a razão para se recusarem a prosseguir com a oportunidade. Apesar das perspectivas de longo prazo para o níquel serem fortes, o sentimento dos investidores diminuiu, devido aos baixos preços spot e pelas incertezas de curto prazo, que incluem o excedente de oferta da Indonésia e a consequente mudança descendente na curva de custos, os riscos para a procura global de níquel e a dinâmica do mercado dos produtos de níquel Classe I e Classe II”, diz o comunicado da Horizonte Minerals.

Karim Nasr, CEO interino da Horizonte, afirmou no posicionamento da empresa: “O Conselho e a administração estão extremamente decepcionados com os resultados do nosso esforço para atrair financiamento para a empresa. Embora tenhamos recebido elogios pela qualidade do projeto e pelo trabalho abrangente desenvolvido pela equipe da empresa, e pela atitude de apoio dos credores da empresa e dos acionistas da Cornerstone, a falta de perspectivas de recuperação do mercado de Ferro-Níquel considerando a dinâmica de fornecimento da Indonésia impediram a confiança dos investidores em projetos em fase inicial com elevada intensidade de capital, incluindo Horizonte. Lamentamos o impacto que este resultado terá sobre as nossas muitas partes interessadas. Quero agradecer a todos os envolvidos, especialmente à equipe Horizonte, por seus esforços durante este período tão desafiador”.

Também em novembro, o deputado Bordalo (PT) chegou a cobrar do Governo do Pará informações sobre o Estudo de Impacto Ambiental (EIA), o relatório de Impacto Ambiental (RIMA) e ainda o de Impactos Sociais que fundamentaram a concessão da Licença Prévia (LP) à mineradora Horizonte Minerals.

(Victor Furtado, da Redação do Fato Regional)


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