domingo, 3 de março de 2024

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Padre Júlio se torna alvo de CPI das ONGs da Câmara de São Paulo; movimentos apontam perseguição

Júlio Lancelotti é conhecido mundialmente pelo trabalho que realiza pela Pastoral da Rua com pessoas em situação de rua e afirma não ser ligado à Igreja Católica e não a uma ONG
O padre Júlio Lancellotti se tornou alvo de uma CPI movida por parlamentares de extrema-direita. Nas redes sociais, pessoas dizem se tratar de cristãos perseguindo um cristão que faz trabalhos sociais (Foto: Divulgação)

A Câmara Municipal de São Paulo (SP) pode aprovar a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a atuação de ONGs junto a pessoas em situação de rua e dependentes químicos que vivem pela “Cracolândia”. No entanto, o fato chamou atenção de movimentos sociais por todo o Brasil devido a um dos investigados: o padre Júlio Lancellotti, da Paróquia de São Miguel Arcanjo, conhecido mundialmente pelo trabalho social com grupos em vulnerabilidade.

Júlio Lancellotti se tornou uma figura pública por defender e cobrar políticas públicas para pessoas em situação de rua em São Paulo. Há uma lei com o nome dele, que proíbe obras com instrumentos para afastar pessoas em situação de rua (arquitetura hostil). E assim se tornou um crítico dos últimos gestores e parlamentares do estado e da capital por medidas que chama de “aporofobia” — uma aversão a pessoas pobres e em condições precárias. Para alguns políticos da extrema-direita paulista, ele é apenas um “comunista” (algo que muita gente sequer sabe o que é e usa como ofensa).

A CPI foi aprovada após mobilização do vereador Rubinho Nunes (União Brasil – SP), que também mira no Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto, vinculado à igreja católica como a Pastoral da Rua, da qual o padre Júlio faz parte; e o movimento Craco Resiste, que promove ações assistenciais a dependentes químicos na Cracolândia e atua contra a violência policial. O parlamentar fala em “exploração de pessoas vulneráveis” e “métodos questionáveis de tratamento”.

“As CPIS são instrumentos legítimos do Poder Legislativo, que tem toda a autoridade e prerrogativa para implantá-las segundo o ritual de cada esfera do poder (…) Mas elas têm que ter um fim, um foco específico que, no caso, são as ONGs que prestam assistência à população da Cracolândia. Eu não faço parte de nenhuma ONG. Então quem tem que ser investigado é o poder público e as ONGs com as quais se estabelece convênios. Não existe uma ONG Padre Júlio Lancelotti. A ação da qual eu participo da pastoral de rua é uma ação da Arquidiocese de São Paulo”, comentou o padre.

(Victor Furtado, da Redação do Fato Regional)


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